Estresse térmico em poedeiras reduz consumo de ração e derruba produtividade

Estresse térmico em poedeiras reduz consumo de ração e derruba produtividade

Agro

O aumento das temperaturas globais tem imposto desafios severos à avicultura de postura, setor fundamental para a segurança alimentar brasileira. O estresse térmico em galinhas poedeiras, provocado por ondas de calor intenso, pode reduzir o consumo de ração em mais de 30%, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores e a oferta de ovos no mercado. O alerta, que ganha relevância diante da instabilidade climática, reforça a necessidade de estratégias de manejo rigorosas para proteger o bem-estar animal e a viabilidade econômica dos lotes.

Impactos metabólicos e a queda na qualidade dos ovos

Quando as aves são expostas a temperaturas elevadas, o organismo entra em um estado de alerta fisiológico para tentar manter a homeostase. A redução na ingestão de alimento é a resposta imediata, o que causa um déficit direto na oferta de energia, aminoácidos e minerais essenciais. Segundo Jhony Gilio, médico-veterinário da Auster Nutrição Animal, essa carência nutricional é apenas a ponta do problema, pois o estresse térmico desencadeia uma série de alterações hormonais e respiratórias que comprometem a formação do produto final.

O mecanismo de resfriamento das aves, conhecido como arfagem, eleva a frequência respiratória, já que elas não possuem glândulas sudoríparas. Esse processo causa a perda excessiva de dióxido de carbono, levando à alcalose respiratória. O desequilíbrio ácido-base resultante reduz a disponibilidade de bicarbonato, um componente vital para a síntese do carbonato de cálcio. Como consequência, o produtor observa um aumento expressivo de ovos com cascas frágeis, trincadas ou deformadas, o que eleva as perdas comerciais na granja.

O desafio da gestão ambiental nos galpões

A manutenção da faixa de conforto térmico, situada entre 18 °C e 24 °C com umidade relativa entre 50% e 65%, torna-se um desafio logístico e estrutural em muitas regiões do país. Em dias de calor extremo, o interior dos galpões pode atingir marcas entre 35 °C e 40 °C. Quando a umidade também está elevada, a capacidade de dissipação de calor das aves é praticamente anulada, elevando o risco de mortalidade e queda acentuada na taxa de postura.

O estresse crônico estimula a liberação de corticosterona, o hormônio do estresse, que atua diretamente na inibição da atividade reprodutiva. Esse cenário cria um ciclo vicioso: o calor reduz o consumo de nutrientes, que por sua vez enfraquece a ave, tornando-a ainda mais suscetível às variações térmicas e menos produtiva. A longo prazo, a falha no controle ambiental pode comprometer a oferta de ovos em períodos subsequentes, afetando o planejamento de toda a cadeia produtiva.

Estratégias nutricionais e manejo preventivo

Diante desse cenário, a nutrição de precisão surge como uma ferramenta essencial para mitigar prejuízos. O ajuste na densidade nutricional da dieta é a recomendação técnica para garantir que, mesmo comendo menos, a ave receba a quantidade necessária de nutrientes por grama ingerida. A utilização de ingredientes com alta biodisponibilidade permite que o metabolismo da ave seja preservado, minimizando o impacto negativo da queda no consumo voluntário.

Além da formulação, o manejo integrado é indispensável. A ventilação eficiente e o controle rigoroso da umidade dentro dos galpões são complementares à dieta. O monitoramento constante dos indicadores de desempenho — como a curva de postura e a integridade da casca — permite que o avicultor identifique precocemente os sinais de estresse e realize ajustes antes que os danos se tornem irreversíveis. A proatividade no manejo é, hoje, o principal diferencial para a sustentabilidade da atividade avícola frente aos extremos climáticos.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br