Balanço do Santander Brasil no 3T26 revela queda no lucro e alerta para calotes

Balanço do Santander Brasil no 3T26 revela queda no lucro e alerta para calotes

Economia

A recuperação financeira do Santander Brasil (SANB11) continua sem convencer totalmente os investidores e o mercado corporativo. Enquanto tenta reduzir o custo dos calotes e reestruturar sua rentabilidade, o banco chega a mais uma temporada de divulgação de resultados sob a expectativa de queda no lucro líquido. Além do cenário operacional desafiador, a instituição financeira lida com os holofotes voltados para a oferta da matriz espanhola para trocar ações da operação brasileira por papéis do grupo global.

O consenso de mercado aponta para um lucro líquido de R$ 3,161 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), o que representaria um recuo de 21% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No tocante à rentabilidade, a projeção dos analistas indica um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) situado próximo a 12,7%, evidenciando a persistência de margens comprimidas e custos elevados de captação e risco.

Perspectivas para o balanço trimestral e o custo de crédito

O principal entrave para a expansão dos ganhos continua sendo o custo do crédito. Mesmo com o avanço moderado da carteira de empréstimos, analistas apontam dificuldades para o banco transformar o volume concedido em resultados mais robustos, pressionado por provisões elevadas. O Citi projeta um trimestre fraco, enquanto o Goldman Sachs avalia que a recuperação dos lucros deve permanecer limitada pelo alto custo de risco associado à inadimplência.

A qualidade dos ativos permanece no centro das atenções, com foco especial nas carteiras de cartões voltadas a clientes de menor renda, pequenas e médias empresas, além do setor do agronegócio. A pressão nesses segmentos exige a formação contínua de provisões, que funcionam como reservas financeiras contra possíveis calotes. Por sua vez, o Itaú BBA destaca que a estratégia interna de reduzir a exposição a operações de maior risco ainda gera compressão nas margens antes de refletir melhorias claras nos indicadores de inadimplência.

Para mitigar esses efeitos, o banco tem redirecionado seu foco para operações com garantias sólidas, como crédito imobiliário, financiamento de veículos novos e o público de alta renda do segmento Select. Embora a margem financeira líquida sofra com essa migração para linhas de menor rentabilidade, a receita gerada por tarifas e o controle rígido de despesas administrativas ajudam a amortizar parte do impacto negativo no balanço geral do trimestre.

Oferta pública de aquisição e o futuro dos minoritários

Paralelamente aos números operacionais, os acionistas avaliam os desdobramentos da oferta pública de aquisição de ações anunciada pela matriz espanhola, cujo objetivo é absorver a participação minoritária restante na operação brasileira. Anunciada em julho, a proposta consiste na substituição dos papéis locais por recibos representativos de ações do grupo internacional, sem envolver pagamentos diretos em dinheiro.

A relação de troca estipulada prevê 0,4056 BDR para cada unit SANB11 ou ADS, e 0,2028 BDR para cada ação ordinária ou preferencial. Caso todos os acionistas optem pela adesão voluntária, a transação poderá movimentar montantes expressivos em euros, calculados na casa de bilhões de reais. A conclusão da operação, contudo, permanece condicionada à aprovação de órgãos reguladores como a Comissão de Valores Mobiliários e a autoridade norte-americana.