Betânia se torna palco de debates sobre o cangaço
A cidade de Betânia, em Pernambuco, torna-se o centro das atenções para pesquisadores e entusiastas da história nordestina a partir desta quinta-feira (16). O município sedia uma nova edição do projeto Cariri Cangaço, iniciativa que busca revisitar os episódios mais marcantes do fenômeno social que moldou a identidade do sertão. A programação, que se estende até o próximo sábado (18), ocorre em um período simbólico: o mês em que se completam 86 anos do Massacre de Angico, ocorrido em 28 de julho de 1938.
Foi na Grota do Angico, em Sergipe, que a trajetória de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e de sua companheira, Maria Bonita, chegou ao fim após uma emboscada das forças policiais. O evento em Betânia propõe uma análise aprofundada sobre esse e outros desdobramentos do cangaço, afastando-se da visão puramente romântica e buscando o rigor histórico sobre o impacto do bando na região.
Roteiros históricos e imersão cultural
Um dos diferenciais desta edição é a valorização do patrimônio local de Betânia. A organização preparou uma série de visitas técnicas a locais que guardam memórias vivas do período, como os sítios Taboquinha, Saco dos Pequenos e Melância, além da comunidade Jurema. O objetivo é conectar o público aos cenários reais onde ocorreram confrontos e passagens fundamentais da vida dos cangaceiros.
A abertura oficial acontece às 18h, no Clube Oásis do Sertão. A cerimônia contará com a entrega de comendas a descendentes de figuras que estiveram em lados opostos da história: familiares de integrantes das volantes, de cangaceiros e de vítimas do bando. A programação cultural inclui ainda a exibição do curta-metragem Achei no Sertão, do fotógrafo Aldamir Júnior, e apresentações do grupo de xaxado Os Navieiros.
Literatura e pesquisa acadêmica
O evento também se consolida como um espaço de produção intelectual. O historiador Louro Teles, autor da obra A maior batalha de Lampião: Serra Grande e a invasão de Calumbi, conduzirá uma palestra sobre os conflitos armados no sertão. Outro ponto alto é o lançamento do livro Martírio no Cangaço, de Luma Hollanda. A pesquisadora, que integra a Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino, traz à tona a trajetória da cangaceira Lídia e sua complexa relação com Zé Baiano.
Trajetória do Cariri Cangaço
Idealizado em 2009 pelo cearense Manoel Severo, o projeto surgiu originalmente em Paulo Afonso, na Bahia, durante as celebrações do centenário de Maria Bonita. Desde então, o seminário evoluiu de um encontro pontual para um evento itinerante de grande relevância nacional. Ao percorrer diferentes cidades do interior, o Cariri Cangaço cumpre o papel de descentralizar o debate histórico, promovendo a preservação da memória e a valorização cultural do povo sertanejo.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
