A partir do dia 27 de julho, o cenário do trânsito em Porto Alegre passará por uma atualização estratégica voltada à segurança viária. Três novos cruzamentos da capital gaúcha serão equipados com tecnologia de fiscalização eletrônica para coibir o avanço do sinal vermelho e o excesso de velocidade. A medida, conduzida pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), integra um plano de monitoramento em pontos identificados como críticos devido à alta incidência de acidentes graves.
Ampliação dos pontos de monitoramento eletrônico
Os novos dispositivos, tecnicamente conhecidos como Detectores de Avanço de Sinal (DAS) e popularmente apelidados de “Caetanos”, serão instalados em eixos de grande circulação. Os locais escolhidos são o cruzamento da avenida Ipiranga com a avenida Azenha, o encontro da avenida Bento Gonçalves com a estrada João de Oliveira Remião, e a interseção da avenida Baltazar de Oliveira Garcia com a avenida Dante Ângelo Pilla e a avenida Manoel Elias.
Com essa expansão, a cidade passará a contar com oito cruzamentos monitorados por essa tecnologia, de um total de 15 pontos selecionados por critérios técnicos de periculosidade. Dados da EPTC revelam que, entre março e maio de 2026, os equipamentos já em operação registraram mais de 9,7 milhões de passagens, com uma taxa de autuação extremamente baixa, de apenas 0,036%, o que indica um alto índice de conformidade dos motoristas às regras de trânsito.
Segurança viária e o combate ao avanço de sinal
A decisão de ampliar o uso dos radares não é aleatória. Em 2025, Porto Alegre contabilizou 84 mortes em 83 ocorrências de trânsito. A análise técnica dos órgãos de mobilidade apontou que o desrespeito à sinalização — especificamente o avanço de semáforos e placas de pare — foi o principal fator de risco identificado nos casos fatais. As motocicletas, em particular, figuraram como o veículo mais vulnerável, estando envolvidas em 53% das vidas perdidas no período.
Regras para circulação noturna e emergências
A fiscalização eletrônica possui parâmetros específicos para situações distintas. Entre 23h e 4h59, o Código de Trânsito Brasileiro e as normas locais permitem a transposição do sinal vermelho, desde que o condutor reduza a velocidade para, no máximo, 30 km/h e garanta a preferência absoluta de pedestres e outros veículos. O sistema é calibrado para distinguir essas condições, e o descumprimento dos limites de segurança durante a madrugada gera autuação.
Outro ponto de atenção é a passagem de veículos de emergência. A tecnologia é sensível a situações onde o motorista avança o sinal para abrir caminho a ambulâncias ou viaturas em atendimento. Nesses casos, as imagens passam por uma análise humana individualizada antes de qualquer validação de multa. Caso uma autuação seja processada indevidamente, o condutor mantém o direito de apresentar defesa e comprovar as circunstâncias da manobra.
Transparência e acesso aos dados
Para garantir a transparência, a prefeitura disponibiliza a localização exata dos equipamentos no aplicativo Waze. Além disso, os documentos técnicos e o histórico de dados sobre a mobilidade urbana podem ser consultados através do portal ObservaMOB. A instalação dos novos radares foi acompanhada por um reforço na sinalização vertical e horizontal dos trechos, visando orientar os condutores e prevenir infrações antes mesmo da aplicação de penalidades.
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Fonte: agorars.com
