A nova fase do Bradesco na bolsa
O Bradesco (BBDC4) superou a fase de provar que sua recuperação é real. Após meses de desconfiança, o banco com sede na Cidade de Deus consolidou sua posição como uma das principais apostas da Faria Lima entre as grandes instituições financeiras do país. Agora, o desafio mudou de natureza: a instituição precisa entregar resultados que justifiquem o otimismo recente dos investidores, elevando o sarrafo para o balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26).
O consenso de mercado, compilado pela Bloomberg, aponta para um lucro líquido ajustado de R$ 6,988 bilhões no período, com um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) projetado em 16%. Esse cenário de confiança é sustentado por uma gestão de crédito mais rigorosa e pela melhora gradual da rentabilidade, elementos que têm sido o foco da estratégia do CEO Marcelo Noronha.
Disciplina no crédito como motor de crescimento
A virada operacional do banco passa, fundamentalmente, pelo abandono do crescimento a qualquer custo. Nos últimos trimestres, o Bradesco reduziu drasticamente a exposição a linhas de crédito de alto risco, que foram as grandes responsáveis pela deterioração da inadimplência no passado recente. A nova diretriz prioriza operações com garantias reais e menor probabilidade de perdas.
Essa mudança de postura deve se refletir nos números do 2T26, com a expansão da carteira sendo puxada por segmentos como pequenas e médias empresas (PMEs), financiamento de veículos e crédito consignado. Enquanto isso, o banco mantém uma postura cautelosa no varejo de baixa renda, segmento que ainda exige monitoramento constante devido à sensibilidade aos juros altos.
Capitalização e reforço patrimonial
Um dos movimentos mais significativos recentes foi o anúncio de um aumento de capital de até R$ 10 bilhões. A operação, que conta com um compromisso firme de R$ 8 bilhões por parte dos acionistas controladores, é vista pelo mercado como um sinal de que a cúpula do banco deseja acelerar a reconstrução da instituição. A expectativa é que esse aporte adicione cerca de 90 pontos-base ao índice de capital principal (CET1), fortalecendo a estrutura de balanço.
Além da capitalização, a reorganização estratégica da BradSaúde, concluída em abril, também deve impactar positivamente os indicadores de capital. Analistas do UBS BB estimam que a transação possa adicionar 250 pontos-base ao índice de capital Nível 1, dando ao banco maior fôlego para expandir suas operações em um ambiente ainda marcado por incertezas macroeconômicas.
O desafio persistente dos juros altos
Apesar dos avanços internos, o Bradesco ainda opera sob a pressão de um cenário externo desafiador. A taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano continua sendo o principal teste para a tese de recuperação. O custo do dinheiro elevado pressiona o endividamento das famílias e mantém o risco de crédito corporativo em patamares que exigem provisões constantes.
O mercado, embora otimista, mantém uma postura vigilante. Das 16 recomendações acompanhadas pela Bloomberg para o papel BBDC4, 10 são de compra e seis neutras. O recado dos investidores é claro: a reconstrução deve ser feita step by step, conforme defende a gestão, mas qualquer desvio na trajetória de melhora da qualidade dos ativos poderá ser punido com volatilidade nas ações.
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Fonte: seudinheiro.com
