O Brasil pode chegar a contabilizar 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. Os resultados foram apresentados em um webinário promovido pela Fundação Oswaldo Cruz, pela Fundação Getulio Vargas, pelo Mosqlimate e pelo InfoDengue, reunindo especialistas para discutir a preparação para a próxima temporada da doença no país.
As projeções indicam um cenário epidemiológico semelhante ao observado nos anos anteriores, mesmo com a expectativa de influência climática decorrente de um super El Niño durante o verão. O relatório técnico foi elaborado por um grupo robusto de especialistas vinculados a diversas instituições de pesquisa e entregue ao Ministério da Saúde.
Projeções científicas e esforço colaborativo
Os dados apresentados vêm do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate, que reúne pesquisadores para projetar de forma aberta a evolução da enfermidade. A iniciativa conjunta busca unificar diferentes metodologias estatísticas para fornecer previsões mais confiáveis aos gestores de saúde pública.
O conjunto analítico integra dezenas de modelos desenvolvidos por mais de cem pesquisadores. Para o próximo ciclo de monitoramento, a estimativa central aponta cerca de 860 mil ocorrências, com pico epidemiológico projetado para o mês de abril de 2027.
Impacto do El Niño e cenários estaduais
Apesar de alguns modelos incorporarem variáveis climáticas, há divergências sobre a magnitude exata do impacto do El Niño na transmissão. Por isso, os especialistas recomendam que o fenômeno seja tratado como um fator de alerta para planos de contingência, exigindo acompanhamento constante por meio de ferramentas de curto prazo.
Em termos regionais, o modelo aponta tendência de alta nos registros em estados como Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Nas demais unidades da Federação, o comportamento esperado é de estabilidade ou leve queda em relação ao período anterior.
Monitoramento da Chikungunya e prevenção
Além da dengue, a força-tarefa de pesquisa também passou a projetar a circulação do vírus da Chikungunya, transmitido pelo mesmo vetor urbano. A expectativa indica dezenas de milhares de casos prováveis no território nacional, com alertas específicos para regiões do Nordeste, Sul e Centro-Oeste.
Diante desse panorama, autoridades sanitárias reforçam que a eliminação de criadouros com água parada continua sendo a principal linha de defesa da população. A vigilância contínua e a busca rápida por atendimento médico aos primeiros sintomas seguem fundamentais para mitigar o impacto dessas arboviroses.

