A sustentabilidade e a produtividade da agricultura brasileira no longo prazo dependem menos de inovações isoladas e mais da capacidade de integrar ciência, empresas e produtores rurais. Esse foi o ponto central de um debate estratégico realizado durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), que ocorreu no Nubank Parque, em São Paulo, na última quinta-feira (1º).
O painel, intitulado “Ecossistemas para a Prosperidade: Por que o Futuro da Agricultura Depende da Colaboração, Não Apenas da Inovação”, colocou em pauta como o setor deve responder a um cenário marcado por instabilidades climáticas, pressões por eficiência e exigências comerciais globais cada vez mais rigorosas. A mediação foi conduzida por Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, com a participação de Brook Cunningham, vice-presidente sênior da Corteva Agriscience, e Guilherme Scheffer, sócio-diretor da Scheffer.
A transformação do Cerrado como modelo de resiliência
Para contextualizar os desafios atuais, o debate revisitou a história da ocupação agrícola do Cerrado a partir da década de 1970. Plínio Nastari destacou que o Brasil, que antes dependia da importação de alimentos, conseguiu reverter esse quadro graças a um esforço conjunto de pesquisa científica, investimento em infraestrutura e adaptação tecnológica.
Esse histórico serve como prova de que a superação de limitações geográficas e climáticas severas é possível quando há uma articulação eficiente entre os diversos agentes da cadeia produtiva. O sucesso do Cerrado não foi apenas um triunfo da biotecnologia, mas o resultado de um ecossistema que uniu conhecimento acadêmico, políticas públicas e a coragem do produtor em adotar novas práticas de manejo.
Ciência e proximidade com o campo
Para Brook Cunningham, da Corteva Agriscience, o momento atual não deve ser encarado como uma crise, mas como um período de profundas transformações. A executiva enfatizou que o “novo normal” da agricultura exige uma combinação de resiliência, coragem e, acima de tudo, uma conexão direta com quem toma as decisões dentro da porteira.
A estratégia defendida pela empresa é a de trabalhar em um sistema de co-criação. Ao compreender as dores específicas do produtor — que variam conforme o solo, o clima e a estrutura de cada propriedade —, a ciência consegue direcionar seus esforços para o desenvolvimento de ferramentas que realmente tragam resultados práticos, evitando soluções genéricas que falham em atender à complexidade do campo.
Desafios geopolíticos e produtivos
O cenário para os próximos anos é de crescente complexidade. Além das variáveis climáticas, o produtor brasileiro enfrenta custos de produção voláteis e um ambiente geopolítico que influencia diretamente o preço das commodities e a disponibilidade de insumos. Nesse contexto, a colaboração atua como um mecanismo de mitigação de riscos.
A adoção de novas tecnologias, como a agricultura de precisão, depende de uma base sólida de assistência técnica, financiamento e infraestrutura. O debate reforçou que a inovação só é efetiva quando o ecossistema está preparado para absorvê-la, garantindo que o conhecimento saia dos laboratórios e chegue ao solo com eficiência e segurança.
O GAFFFF 2026, que segue como um dos principais palcos de discussão do setor, reúne cerca de 230 empresas e 330 palestrantes de mais de 20 países. Ao final do evento, as conclusões dos painéis serão compiladas no Consenso do Agronegócio, um documento que servirá como diretriz para os próximos passos do setor. Para acompanhar mais análises profundas sobre o agronegócio e os temas que movimentam a economia brasileira, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de referência em informação contextualizada.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

