Safra 2026/27 tem custo do milho projetado em US$ 820 por hectare no Brasil

Safra 2026/27 tem custo do milho projetado em US$ 820 por hectare no Brasil

Agro

Os custos operacionais para a produção de milho no Brasil devem registrar uma alta expressiva na safra 2026/27, impulsionados sobretudo pelos gastos com fertilizantes e defensivos agrícolas. De acordo com projeções divulgadas pelo Rabobank, as despesas por hectare no país tendem a subir em um momento marcado por ampla oferta global de grãos e margens de negociação restritas para as commodities no mercado internacional.

Embora o país mantenha indicadores operacionais vantajosos em comparação com outras nações produtoras, a pressão exercida pelos insumos exige cautela. O cenário coloca em evidência a diferença entre o desempenho da lavoura e a real saúde financeira das propriedades rurais, que ainda lidam com o peso de financiamentos anteriores e despesas estruturais não computadas nos indicadores básicos de campo.

A alta dos custos de produção e o impacto dos insumos

O estudo aponta que o custo operacional do milho brasileiro passará de US$ 739 por hectare para US$ 820 por hectare no ciclo 2026/27. Esse avanço de aproximadamente 11% reflete a valorizações de itens essenciais para o manejo da cultura, alinhando-se a um contexto de tensões geopolíticas no Oriente Médio que afetam diretamente o mercado global de ureia e outros fertilizantes.

No caso do milho, os gastos com adubos devem saltar de US$ 226 para US$ 248 por hectare. Já as despesas com defensivos, que incluem inseticidas e outros produtos de proteção de lavoura, apresentam o salto mais expressivo do levantamento, passando de US$ 96 para US$ 131 por hectare, um acréscimo de cerca de 35%.

Margens operacionais favoráveis e o desafio do endividamento

Apesar do encarecimento das lavouras, o Rabobank projeta uma recuperação nas margens operacionais das culturas brasileiras. Para o milho, a estimativa indica um avan¸o de 46% para 55%, mantendo o indicador acima da média histórica acompanhada pela instituição financeira.

No entanto, analistas alertam que a margem operacional contempla apenas custos diretos de cultivo, como sementes, combustíveis, defensivos e fertilizantes. Despesas financeiras, juros de empréstimos, custos relacionados à terra e eventuais oscilações cambiais ficam de fora dessa conta. Com indicadores regionais de inadimplência superando 8% em algumas praças, parte dos agricultores utiliza os ganhos operacionais para honrar compromissos de safras passadas.

Cenário internacional e perspectivas para o mercado

Na comparação global, o Brasil se destaca positivamente frente a concorrentes tradicionais. Nos Estados Unidos, as projeções apontam uma margem operacional estreita para o milho, caindo de 7% para apenas 3%, o que pode resultar em prejuízo econômico real após a inclusão das despesas gerais. Na Argentina, a pressão tributária e o encarecimento dos fertilizantes reduzem a margem do milho para 23%.

Para o restante da safra brasileira, o desempenho dependerá não apenas da produtividade nas lavouras, mas também da evolução climática e da administração rigorosa do fluxo de caixa nas fazendas. Para mais informações detalhadas sobre o setor produtivo, acesse a cobertura completa do Portal do Agronegócio.

Continue acompanhando o ConexRS para se manter atualizado sobre os principais desdobramentos da economia, do agronegócio e dos mercados nacionais e internacionais, com reportagens aprofundadas e compromisso com a clareza informativa.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br