Disputa digital em Pernambuco: João Campos aciona TRE contra suposto gabinete do ódio

Disputa digital em Pernambuco: João Campos aciona TRE contra suposto gabinete do ódio

Política

A escalada do conflito nas redes sociais pernambucanas

A corrida eleitoral em Pernambuco ganhou um novo capítulo de tensão jurídica e digital. A campanha do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), protocolou uma representação junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) denunciando a existência de um suposto “gabinete do ódio” que estaria sendo financiado com recursos públicos do governo estadual, atualmente sob gestão de Raquel Lyra (PSD).

O movimento é uma resposta direta a uma ofensiva judicial anterior da governadora, que acionou a Justiça Eleitoral alegando que a sua própria administração estaria sendo alvo de ataques coordenados por robôs e perfis falsos. O embate revela o nível de polarização que marca a pré-campanha no estado, onde a disputa pelo controle da narrativa digital se tornou um terreno estratégico para ambos os lados.

A estratégia de preservação de provas digitais

A ação movida pela equipe de João Campos busca, primordialmente, a preservação de conteúdos publicados em redes sociais. O objetivo é garantir a integridade de materiais que poderão servir de base para uma futura Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), que deve ser formalizada após o início oficial da campanha, previsto para o dia 16 de agosto.

Segundo a representação protocolada na última sexta-feira (7), a medida tornou-se indispensável devido à natureza cíclica dos ataques. A campanha argumenta que, mesmo quando URLs específicas são removidas, o conteúdo reaparece em outros perfis, sugerindo uma engrenagem coordenada que persiste ao longo do tempo. Documentos citados pela defesa apontam que perfis anteriormente dedicados a temas como gastronomia e humor teriam sofrido uma mudança súbita de pauta, passando a concentrar críticas direcionadas ao ex-prefeito.

Denúncias e o debate sobre a milícia digital

Este não é o primeiro movimento envolvendo suspeitas de irregularidades no ambiente virtual em Pernambuco. A campanha de Campos ressalta que as acusações contra a gestão de Lyra possuem precedentes. No final do ano passado, um grupo de deputados recorreu à Polícia Federal (PF) após surgirem denúncias de que um assessor da governadora estaria à frente de uma suposta milícia digital.

A peça jurídica alega que a estrutura observada não se assemelha à militância política espontânea, mas sim a uma operação profissional. O texto aponta para uma possível relação entre o aumento de despesas de comunicação do governo estadual e a sustentação econômica dessa rede, que utiliza perfis aparentemente independentes para disseminar conteúdo coordenado.

A resposta do governo estadual

Em nota oficial, a equipe de Raquel Lyra afirmou receber a iniciativa com tranquilidade e destacou que não se opõe à preservação de dados, reiterando sua confiança na Justiça Eleitoral. Contudo, a gestão estadual criticou o que classificou como uma tentativa de transformar uma medida técnica em um fato político para confundir o eleitorado.

A nota da governadora enfatiza que a preservação de registros não implica, por si só, a existência de um crime, comparando a ação à manutenção de imagens de câmeras de segurança. O governo defende a liberdade de manifestação dos eleitores e reforça que a participação política legítima não deve ser confundida com irregularidades. Para mais informações sobre os desdobramentos desta disputa e outros temas relevantes do cenário político nacional, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência para notícias com credibilidade e contexto.

Fonte: redir.folha.com.br