Eleições 2026: flávio propõe privatizações enquanto lula defende estatais

Eleições 2026: flávio propõe privatizações enquanto lula defende estatais

Política

Os eleitores brasileiros vão decidir, neste domingo (25) de segundo turno, entre dois programas de governo que apontam para direções opostas no debate sobre a máquina pública e seu alcance. Temas como privatizações, venda de ativos, extinção de empresas estatais e reforma administrativa estão presentes nas propostas dos candidatos Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, mas com abordagens distintas para o futuro do país.

Enquanto o plano de governo de Flávio Bolsonaro defende a retomada de desestatizações e cortes profundos na administração, a campanha de Lula aposta no fortalecimento de empresas estatais e na ampliação de investimentos públicos para induzir o desenvolvimento econômico. A divergência central reflete visões históricas distintas sobre o papel do Estado na economia nacional.

Visões opostas sobre a gestão e o tamanho da máquina pública

Sobre a gestão da máquina pública, o programa de governo de Lula, que busca a reeleição, foca no aumento da eficiência, da qualidade e no controle do gasto público. A proposta prevê o fortalecimento de mecanismos de transparência e o acompanhamento de políticas públicas para a geração de valor público e a redução das desigualdades sociais no Brasil.

Para alcançar esses objetivos, o plano aponta como caminho a universalização dos serviços públicos digitais personalizados. A aposta é incrementar plataformas como o Gov.br, que reúne milhares de serviços federais. O documento também enfatiza o combate à corrupção com respeito à independência das instituições.

Por outro lado, o plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe o que chama de tesouraço — um corte profundo para reduzir o tamanho da máquina pública e promover uma reforma administrativa. O documento prevê a limitação de gastos operacionais, desregulamentação nas áreas trabalhista, tributária e previdenciária, além da redução do número de ministérios e de cargos comissionados.

O futuro das estatais e o debate sobre privatizações

No que diz respeito às privatizações, as diretrizes da campanha de Lula se opõem à venda de empresas estratégicas como a Petrobras, a Embrapa e os Correios. O texto ressalta a importância dessas companhias na indução do desenvolvimento e na garantia da soberania nacional, propondo parcerias com o setor privado e reestruturação financeira em vez da alienação total.

Em contrapartida, o programa de Flávio Bolsonaro prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização. A proposta inclui a venda de ativos estatais não estratégicos para atrair investimentos privados, reduzir o endividamento público e adotar critérios rígidos baseados na Lei de Estatais de 2016 para a escolha de dirigentes em agências reguladoras.

Historicamente, o período recente foi marcado por intensas transformações nesse setor. Durante os quatro anos de governo de Jair Bolsonaro, cerca de 76 empresas públicas foram privatizadas, entre subsidiárias e estruturas únicas. A venda mais emblemática desse período foi a da Eletrobras, realizada em junho de 2022 por R$ 33,7 bilhões.

Alternativas entre concessões e o papel indutor do estado

Em gestões anteriores, a postura em relação ao capital privado seguiu caminhos voltados para parcerias. Lula sempre demonstrou contrariedade às privatizações definitivas, preferindo adotar concessões e parcerias público-privadas (PPPs), com foco principal na área de infraestrutura, incluindo rodovias, portos e aeroportos.

Enquanto a privatização transfere a propriedade definitiva do ativo para a iniciativa privada, a concessão delega apenas o direito de administração e exploração por um período determinado. Esse modelo foi aplicado de forma marcante em leilões de aeroportos de médio e grande porte ao longo da última década.

A decisão final sobre qual modelo prevalecerá nos próximos anos está agora nas mãos dos eleitores, que avaliarão nas urnas se o Estado deve encolher por meio de novas vendas de ativos ou se deve expandir sua atuação com empresas públicas fortalecidas. Para conferir os detalhes completos, acesse o portal do Tribunal Superior Eleitoral e consulte as propostas na íntegra.