A safra de inverno de 2026 no Rio Grande do Sul registrou recuos nas estimativas de produção para culturas importantes como o trigo, a canola e a aveia-branca, conforme dados divulgados pela Emater/RS-Ascar. Enquanto a cevada apresentou uma leve melhora em suas projeções, o setor agrícola gaúcho enfrenta um cenário desafiador marcado por instabilidades climáticas e perdas de qualidade nos grãos.
As variações refletem ajustes entre os levantamentos técnicos do período, evidenciando que fatores externos impactam diretamente o rendimento das lavouras. Além da quantidade colhida, a adequação dos produtos aos padrões exigidos pelas indústrias tornou-se um dos principais pontos de atenção para os produtores rurais nesta temporada.
Impacto no trigo e desafios na colheita gaúcha
A área estimada para o cultivo de trigo sofreu uma retração expressiva, passando de 814.220 para 763.121 hectares. Embora a produtividade média tenha apresentado um pequeno acréscimo por hectare, o ganho não foi suficiente para compensar a diminuição da área plantada, resultando em uma queda na produção total prevista.
Relatos vindos do campo indicam problemas severos como a incidência de giberela, presença de grãos chochos e redução do peso hectolítrico. Em municípios como Tenente Portela e nas áreas monitoradas em Santa Rosa, o rendimento abaixo das expectativas e a queda na classificação comercial geram restrições de venda e menor remuneração para os agricultores.
Canola registra a maior revisão negativa do período
Entre as culturas analisadas, a canola acumulou a redução mais intensa nas projeções de rendimento. Apesar da expansão da área cultivada para 379.887 hectares, a produtividade média sofreu uma queda acentuada, puxada por eventos climáticos extremos como vendavais e tempestades de granizo em algumas regiões produtoras.
Em certas localidades, os danos foram tão severos que tornaram a operação de colheita mecanizada economicamente inviável devido ao baixíssimo volume aproveitável. Ainda assim, o montante final projetado mantém-se acima do registrado no ano anterior devido ao crescimento da área total semeada.
Desempenho da aveia-branca e da cevada
A cultura da aveia-branca também enfrentou revisções negativas em ambos os componentes produtivos, acumulando uma retração no volume total esperado. Problemas de qualidade, com índices de PH extremamente baixos em algumas regiões de Ijuí, limitaram a destinação industrial, fazendo com que lavouras de menor potencial fossem redirecionadas para a cobertura do solo.
Em contrapartida, a cevada apresentou um cenário ligeiramente mais otimista, com expansão tanto na área estimada quanto na produtividade média. Contudo, a melhoria nos números gerais não eliminou completamente os riscos industriais, pois parte dos lotes destinados à maltagem apresentou teores inadequados da micotoxina DON e índices de germinação abaixo do ideal.
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