Empiricus ajusta carteira de Bdrs em setembro diante de incertezas globais

Empiricus ajusta carteira de Bdrs em setembro diante de incertezas globais

Economia

O cenário macroeconômico global, marcado por tensões no Oriente Médio, a volatilidade do petróleo e a expectativa pela política de juros nos Estados Unidos, continua a ditar o ritmo dos investimentos. Diante deste quadro, a Empiricus atualizou sua carteira recomendada de BDRs para o mês de setembro, priorizando a seletividade e a proteção de capital.

Sob a análise de Matheus Spiess, a estratégia para o período foca em ativos que demonstram resiliência frente aos desafios geopolíticos e inflacionários. A alocação busca equilibrar empresas com balanços robustos e capacidade comprovada de geração de caixa, em um momento onde a cautela se torna a principal ferramenta do investidor.

Ajustes estratégicos na carteira de BDRs e foco em refinarias

A atualização mensal trouxe mudanças significativas na composição dos ativos. A SLB, que registrou uma valorização de 20% na NYSE durante agosto, deixou a carteira para que os investidores pudessem realizar lucros. Em seu lugar, a Empiricus incluiu os BDRs da Valero, empresa focada no setor de refino.

A tese para esta mudança reside na dinâmica do mercado de derivados. Com a oferta restrita no Oriente Médio, a diferença entre o preço do petróleo bruto e dos produtos refinados, como diesel e gasolina, tende a aumentar. Essa margem operacional favorece refinarias ocidentais, permitindo que a companhia capture lucros mais expressivos no cenário atual.

O papel do ouro como proteção estrutural

Além da exposição ao setor de energia, a carteira passou a incluir o GDXB39, um BDR que replica um ETF de mineradoras de ouro. A escolha reflete a busca por ativos de proteção diante das incertezas fiscais e da demanda persistente dos bancos centrais globais pelo metal precioso.

Segundo a análise, o ouro permanece como uma reserva histórica de valor. A opção pelas mineradoras, em vez do ouro físico, justifica-se pela expectativa de que as margens das produtoras se expandam de forma mais acentuada do que a cotação do ativo em si, potencializando os resultados em períodos de preços elevados.

Impacto da política monetária dos Estados Unidos

O mercado aguarda com expectativa a reunião do Federal Reserve, prevista para os dias 15 e 16 de setembro. A decisão sobre a manutenção ou o possível início de um ciclo de alta nos juros norte-americanos depende diretamente dos indicadores de inflação, como o CPI e o PPI, cujos dados de agosto estão programados para divulgação até o dia 11.

Embora a inflação tenha apresentado sinais de moderação, dirigentes como Kevin Warsh enfatizam a necessidade de evidências consistentes antes de qualquer flexibilização monetária. Nesse contexto, a recomendação da Empiricus reforça que a escolha de empresas com crescimento visível é mais eficaz do que tentar prever movimentos binários de juros.

Fonte: seudinheiro.com