O setor cafeeiro brasileiro encerrou o ano-safra 2025/2026 com um cenário de retração nos volumes embarcados. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15.jul.2026) pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o país exportou 38,462 milhões de sacas de 60 kg para 125 nações entre julho de 2025 e junho de 2026. O volume representa uma queda de 15,7% na comparação com o ciclo anterior.
Fatores climáticos e estoques reduzidos
Apesar da queda no volume, a receita cambial manteve um patamar elevado, atingindo US$ 14,595 bilhões. O montante representa um recuo de apenas 1% frente à temporada passada, configurando o segundo melhor desempenho da série histórica do setor. A redução na oferta foi o principal motor para a diminuição das exportações, conforme explicou o presidente do conselho do Cecafé, Márcio Ferreira.
Segundo o dirigente, o mercado operou com estoques significativamente menores após o recorde de embarques registrado em 2024. A situação foi agravada por adversidades climáticas que impactaram diretamente a produtividade da safra 2025, limitando a disponibilidade do produto para o mercado externo.
Gargalos logísticos e custos extras
Além da quebra de safra, o setor enfrentou desafios severos na infraestrutura nacional. Ferreira destacou que os gargalos nos portos brasileiros geraram um efeito cascata negativo, com pátios operando acima da capacidade e atrasos recorrentes na saída de navios.
Essa desorganização logística resultou em prejuízos milionários para os exportadores. Os custos foram inflados por taxas adicionais de armazenagem, pré-stacking e detentions, que acabaram por inviabilizar o embarque de centenas de milhares de sacas que estavam prontas para o mercado internacional.
Impacto da política comercial dos EUA
O desempenho das exportações também foi pressionado por barreiras comerciais. Durante um período de quatro meses, a imposição de um tarifaço de 50% sobre o café brasileiro resultou em uma queda superior a 50% nos embarques destinados aos Estados Unidos. Embora a medida tenha sido parcialmente revertida, o café solúvel permanece sob taxação.
O setor agora monitora com cautela as investigações da Seção 301 do USTR (United States Trade Representative). A expectativa é que a instabilidade política e comercial entre os dois países continue a influenciar o ritmo das transações nos próximos meses, mantendo o setor em estado de alerta quanto à normalização total do fluxo comercial.
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Fonte: poder360.com.br
