Governo avança na regulamentação da PEC da Segurança com foco em estatuto para vítimas

Governo avança na regulamentação da PEC da Segurança com foco em estatuto para vítimas

Política

Com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Congresso Nacional, o governo federal iniciou a etapa de elaboração das propostas para regulamentar os dispositivos que necessitam de normatização complementar. A coordenação dos trabalhos cabe à Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que projeta a elaboração de projetos de lei e decretos presidenciais para consolidar as novas regras no país.

De acordo com o secretário nacional de Segurança, Chico Lucas, o volume exato de matérias legislativas e o cronograma final de envio ao Poder Legislativo ainda estão sob definição técnica. Contudo, as diretrizes centrais priorizam estruturar mecanismos de cooperação federativa, padronizar procedimentos policiais e criar novos direitos operacionais no sistema de justiça criminal.

Direitos ampliados para as vítimas de crimes no Brasil

Uma das principais frentes de regulamentação envolve a criação de um estatuto das vítimas. A proposta busca transformar o papel de quem sofre ações criminosas, garantindo que o cidadão lesado ou seus familiares acompanhem de forma transparente e direta o andamento dos processos e a execução das penas aplicadas aos autores das infrações.

Na avaliação da secretaria, a legislação histórica brasileira costuma manter a vítima em posição periférica ao longo da persecução penal. A nova regulamentação pretende assegurar o direito à proteção ostensiva, assistência jurídica, apoio psicológico e informações atualizadas sobre a concessão de benefícios prisionais ou a soltura de apenados. Para a efetivação dessas garantias, será necessária a alteração formal do Código de Processo Penal.

Padronização de registros policiais e cooperação com os estados

Outro eixo considerado prioritário pelo governo é a unificação dos procedimentos administrativos e operacionais entre as forças estaduais de segurança pública. Atualmente, o Brasil opera com 27 modelos diferentes de Boletim de Ocorrência, situação que gera fragmentação de dados e dificulta o compartilhamento rápido de informações estratégicas entre os estados.

A intenção do Poder Executivo é estabelecer um modelo único e padronizado de registro policial em todo o território nacional, além de fixar diretrizes homogêneas para corregedorias e matrizes curriculares das academias de polícia. Como a gestão das polícias civis e militares cabe aos governadores, a implementação dependerá da articulação direta com os secretários estaduais da área. Chico Lucas, que ocupou a pasta no estado do Piauí durante a gestão do governador Rafael Fonteles, busca utilizar a interlocução com os gestores regionais para construir o consenso normativo.

Divisão da inteligência e pontos de aplicação imediata

A regulamentação prevê ainda delimitar com clareza as atribuições das estruturas de inteligência. O objetivo é diferenciar a inteligência policial dedicada à investigação criminal da inteligência de Estado, desempenhada por organismos como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A separação visa evitar sobreposição de competências e reforçar o foco das apurações contra o crime organizado.

Por outro lado, o governo destaca que diversos pontos da emenda constitucional possuem eficácia imediata sem necessidade de novas leis. Entre eles estão a unificação da atuação das polícias federais e estaduais, o endurecimento de medidas de combate a facções criminosas e o reconhecimento formal do sistema prisional como integrante fundamental da estrutura de segurança pública nacional.