Uma guarnição especializada do Rio Grande do Sul mobilizou forças de segurança para realizar a detonação controlada de um artefato explosivo que permaneceu esquecido e armazenado como peça decorativa em uma residência por mais de três décadas. A ocorrência foi atendida na quarta-feira (28), na cidade de Rio Pardo, localizada no interior do estado.
O artefato foi descoberto pelo morador do imóvel durante uma atividade de faxina e reorganização do espaço. O proprietário, identificado como Cássio Mello, deparou-se com o objeto ao realizar a limpeza estrutural da casa após o falecimento de sua mãe, ocorrido em março. Diante do receio de que o equipamento estivesse ativo e pudesse detonar de forma acidental, ele imediatamente acionou as autoridades policiais locais.
descoberta durante faxina e histórico familiar
A residência onde o explosivo estava guardado fica situada na Avenida Rio Branco, no bairro Boa Vista. De acordo com os relatos do morador, a granada pertencia ao seu pai, que faleceu há cerca de 20 anos e mantinha o hábito de colecionar diversos tipos de antiguidades e objetos metálicos encontrados em escavações ou adquiridos de terceiros.
O pai de Cássio utilizava equipamentos como detectores de metais e acreditava convictamente que a peça mantida na estante da sala era apenas uma relíquia inofensiva, completamente desprovida de qualquer carga explosiva ou capacidade de ignição. Conforme a avaliação preliminar das equipes de segurança do estado, o artefato apresenta características semelhantes às de um modelo Mk 2, armamento amplamente utilizado durante o período da Segunda Guerra Mundial.
memórias de infância e brincadeiras de risco
O morador recordou que conviveu com a presença do objeto metálico desde a sua infância, período em que desconhecia totalmente a periculosidade real do item guardado entre os enfeites domésticos. Por ser um objeto denso e pesado, o artefato por vezes servia como curiosidade para visitas na residência da família.
- O morador admitiu que costumava manusear a peça quando era criança.
- A lembrança inclui episódios em que ele mostrava o objeto para conhecidos.
- A crença na inércia da peça evitou preocupações ao longo de décadas.
O morador chegou a descrever que retirava o item do móvel com extremo cuidado enquanto o pai dormia, sem imaginar que mantinha um explosivo militar ativo dentro de sua própria sala de estar durante todo aquele tempo.
ação do bota-fora e isolamento da área
A ocorrência exigiu uma ampla operação de segurança que mobilizou cerca de 15 policiais da Brigada Militar de Rio Pardo e especialistas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) vindos de Porto Alegre, além do suporte operacional do Corpo de Bombeiros. Como a integridade e o potencial de detonação do artefato eram imprevisibles, os protocolos exigiram o isolamento imediato de um raio de 100 metros ao redor da residência afetada.
Um operador do esquadrão antibomba ingressou no imóvel paramentado com uma vestimenta especial de proteção balística e química. A remoção ocorreu com o auxílio de uma caixa de contenção específica para materiais perigosos. O artefato foi transportado para um ponto seguro e isolado no município, onde os técnicos realizaram a detonação controlada, encerrando o risco para a comunidade local.

