Instrutor que lançou jovem sem corda já havia realizado salto com criança na mesma ponte

Brasil DESTAQUES

Vídeos antigos ampliam questionamentos sobre protocolos de segurança em esportes de aventura

As investigações sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump em Limeira, interior de São Paulo, ganharam um novo capítulo. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram que um dos instrutores envolvidos no acidente já havia realizado anteriormente um salto com uma criança na mesma estrutura conhecida como “Ponte do Esqueleto”, local onde ocorreu a tragédia.

O vídeo, publicado pelo próprio instrutor meses antes do acidente, mostra o homem saltando ao lado do menino em uma atividade semelhante à praticada pela vítima. A repercussão das imagens levantou debates sobre os critérios adotados por operadores de esportes radicais para participação de menores de idade, além da fiscalização das atividades realizadas em locais sem estrutura formal de operação.

A morte de Maria Eduarda ocorreu no último fim de semana, quando ela foi lançada da ponte sem estar conectada ao sistema de segurança. Segundo a Polícia Civil, os três instrutores responsáveis pela atividade admitiram não saber explicar exatamente em que momento ocorreu a falha. Eles relataram um “apagão” durante os preparativos do salto e não conseguiram identificar quem deveria ter realizado a conferência final dos equipamentos.

As investigações apontam que a jovem solicitou um salto no estilo “avião”, modalidade em que o participante é sustentado pelos instrutores antes de ser lançado. Imagens registradas no local mostram que os profissionais utilizavam equipamentos de segurança, enquanto a vítima não estava presa a nenhuma corda no momento da queda. A polícia confirmou que a ausência de ancoragem foi determinante para o acidente fatal.

O caso reacendeu o debate sobre a regulamentação dos esportes de aventura no Brasil. Especialistas defendem a adoção de protocolos rígidos de checagem, semelhantes aos utilizados na aviação e na escalada profissional, onde múltiplas verificações independentes são obrigatórias antes de qualquer atividade de risco. Em operações consideradas seguras, a conferência dos equipamentos é realizada por mais de um profissional antes da autorização para o salto.

Enquanto a investigação prossegue, os três instrutores permanecem presos preventivamente e poderão responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A Polícia Civil também apura se a atividade possuía todas as autorizações necessárias e se havia procedimentos formais de segurança documentados para a realização dos saltos.