Inter adia meta de rentabilidade para 2029 e prioriza estratégia de crescimento

Inter adia meta de rentabilidade para 2029 e prioriza estratégia de crescimento

Economia

O desafio do equilíbrio entre escala e rentabilidade

O Inter, um dos principais bancos digitais do país, tomou uma decisão estratégica que reconfigura as expectativas do mercado financeiro para os próximos anos. A instituição optou por postergar para 2029 a meta de atingir um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 30%, um objetivo que originalmente estava previsto para 2027. Em vez de buscar uma rentabilidade acelerada, o banco escolheu priorizar a expansão de sua base e o fortalecimento de seus serviços.

A decisão, que foi detalhada após a apresentação da chamada “Regra dos 50” em maio, reflete uma mudança de postura na comunicação com investidores. O objetivo central é não sacrificar o crescimento da operação apenas para entregar números de rentabilidade mais curtos. Para o CEO global do Inter, João Vitor Menin, o sucesso do negócio reside no equilíbrio entre a escala alcançada e a eficiência operacional.

A estratégia por trás da Regra dos 50

Ao ser questionado sobre a prorrogação do prazo, Menin enfatiza que a rentabilidade não deve ser tratada como um fim isolado. O executivo defende que o “ponto ideal” para uma instituição financeira é encontrar a escala correta que sustente a rentabilidade desejada. Com uma base que já ultrapassa os 45 milhões de clientes, o banco entende que a fase de conquista de escala massiva está consolidada, permitindo agora uma fase de maior monetização.

O plano 60-30-30, lançado em 2023, permanece como uma referência racional sobre a capacidade da plataforma, mas a execução agora é pautada pela sustentabilidade. O banco quer evitar a transformação em uma instituição focada estritamente no pagamento de dividendos, preferindo manter a sua essência como uma tese de growth, ou seja, de crescimento contínuo, reinvestindo na própria operação para gerar valor a longo prazo.

Eficiência operacional e o papel do ROA

Embora o ROE atual esteja na casa dos 16%, o banco aponta para o retorno sobre os ativos (ROA) como um indicador mais preciso de sua eficiência atual. Segundo Menin, o Inter já figura entre os cinco maiores bancos brasileiros nesse quesito, demonstrando que a capacidade de gerar retorno a partir dos ativos existentes é elevada. A diferença no ROE, portanto, seria explicada por uma menor alavancagem de capital em comparação aos grandes incumbentes do setor.

Para elevar o ROE aos patamares de 30% até 2029, a estratégia envolve aumentar a alavancagem de forma controlada. Isso será feito por meio da expansão da carteira de crédito e da captação de depósitos, sempre sob um rigoroso controle de risco. O desafio é fazer com que os 45 milhões de clientes, que já representam cerca de 9% das transações de Pix no Brasil, passem a utilizar um leque mais amplo de produtos financeiros.

Crédito com garantia e gestão de riscos

O cenário macroeconômico, marcado por níveis elevados de inadimplência no sistema financeiro, exige cautela. O Inter tem direcionado sua expansão de crédito para modalidades com garantias, como o crédito imobiliário, consignado e o home equity. Essa abordagem visa reduzir a exposição ao risco e, simultaneamente, oferecer taxas mais competitivas aos clientes, criando um ciclo de relacionamento mais saudável.

A diversificação da carteira tem sido um pilar para mitigar os impactos da inadimplência, que pressiona as famílias brasileiras há mais de 15 anos. Menin reforça que o banco tem adotado uma postura mais conservadora na concessão de cartões para novos clientes, o que já trouxe sinais de estabilização no índice de inadimplência (NPL), com expectativas de melhorias contínuas para o quarto trimestre. O banco reafirma seu papel como uma plataforma agnóstica, atendendo perfis variados de renda com foco na qualidade do crédito.

Para acompanhar os desdobramentos da estratégia do Inter e as movimentações do mercado financeiro, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você uma análise aprofundada e contextualizada sobre os fatos que impactam a economia e o seu bolso.

Fonte: seudinheiro.com