O Victoria and Albert (V&A), uma das instituições culturais mais prestigiadas do Reino Unido, enfrenta um momento de tensão sem precedentes. Funcionários de quatro unidades do museu em Londres aprovaram, por ampla maioria, a possibilidade de deflagrar uma greve. A mobilização é motivada por uma série de queixas que envolvem desde o modelo de gestão interna até a precariedade das condições de trabalho durante as recentes ondas de calor que assolaram a capital britânica.
Rotina de trabalho sob pressão no V&A East Storehouse
O foco principal das críticas recai sobre o V&A East Storehouse, um centro de armazenamento inaugurado em maio de 2025. O espaço, que permite aos visitantes solicitar o manuseio de peças do acervo, tem sido alvo de denúncias por parte do sindicato Prospect. A entidade compara a rotina dos chamados agentes de acesso às coleções a um modelo de gestão “estilo Amazon”, caracterizado por um controle rígido de produtividade.
Segundo o sindicato, a pressão por resultados impedia que os trabalhadores realizassem pausas básicas, como idas ao banheiro ou momentos para hidratação. Embora o museu tenha cedido e passado a conceder dois intervalos remunerados de 15 minutos por turno após a pressão inicial, os funcionários consideram que a medida é insuficiente para mitigar o desgaste diário.
Reivindicações salariais e impasse nas negociações
A disputa não se limita apenas ao ambiente físico, mas também ao campo financeiro. O sindicato Prospect exige um reajuste salarial mínimo de 4% para quem recebe acima do salário digno, além de compensações específicas para o trabalho em feriados. A pauta inclui ainda a certificação da instituição como empregador que segue o London Living Wage, o padrão de remuneração calculado para o custo de vida na capital.
Paralelamente, o Public and Commercial Services Union (PCS) iniciou sua própria consulta sobre a paralisação, que segue até 20 de agosto. Em uma petição enviada à secretária de Cultura, Lisa Nandy, e ao diretor do museu, Tristram Hunt, o sindicato contesta a postura da administração, que teria condicionado aumentos salariais para curadores a cortes nos vencimentos de funcionários da recepção, gerando um mal-estar generalizado entre as categorias.
Impactos das ondas de calor e resposta da instituição
As altas temperaturas registradas no Reino Unido agravaram o conflito. O PCS relata que, no V&A East Storehouse, as restrições de preservação do acervo impedem que funcionários portem garrafas de água em certas áreas. Em South Kensington, a situação teria sido ainda mais crítica, com relatos de desidratação e desmaios entre assistentes de galeria escalados para trabalhar em áreas externas sob sol intenso.
Em resposta, a direção do V&A, conforme reportado pelo The Art Newspaper, refuta as acusações. A instituição afirma que mantém negociações desde fevereiro e propôs um reajuste de 3,6% na folha, com aumentos de até 6,9% para as faixas salariais mais baixas. O museu garante que oferece acesso a água e banheiros, além de ter adotado protocolos de emergência, como o fechamento temporário de galerias e do Young V&A, durante os picos de calor extremo.
O cenário permanece incerto, com os sindicatos mantendo a autorização para a greve enquanto as negociações seguem em um impasse delicado. O Conexrs continuará acompanhando os desdobramentos desta crise que coloca em xeque a gestão de um dos maiores patrimônios culturais do mundo. Mantenha-se informado sobre este e outros temas relevantes assinando nossa newsletter e acompanhando nossas atualizações diárias.
Fonte: seudinheiro.com
