Cenário econômico favorece redução nas taxas
O mercado financeiro brasileiro registrou um movimento de alívio nesta quinta-feira (30), com a queda dos juros futuros. A descompressão das taxas foi impulsionada por uma combinação de fatores externos, especialmente a divulgação de dados de inflação mais contidos nos Estados Unidos, e indicadores domésticos que reforçam a continuidade do ciclo de queda da taxa básica de juros, a Selic.
Embora o recuo tenha sido generalizado, a curva a termo manteve sua inclinação característica. Os contratos de curto prazo apresentaram um alívio mais acentuado, enquanto os vencimentos longos demonstraram maior resistência, refletindo a cautela dos investidores em relação ao cenário fiscal brasileiro e às incertezas que cercam o período eleitoral.
Impacto dos indicadores e leilão do Tesouro
O desempenho dos ativos foi influenciado pelo leilão de prefixados realizado pelo Tesouro Nacional. Segundo análise da Warren Investimentos, o risco adicionado ao mercado, medido pelo DV01, atingiu o patamar de US$ 357 mil, o menor registro desde o dia 11 de junho. O estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da instituição, Luis Felipe Vital, destacou que o volume reduzido do certame contribuiu diretamente para a perda de fôlego dos juros futuros ao longo do dia.
No cenário internacional, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos trouxe o fôlego necessário para os mercados. Com uma queda de 0,1% em junho ante maio, o indicador veio abaixo das expectativas, o que permitiu uma descompressão dos Treasuries norte-americanos. Esse movimento foi acompanhado de perto pelo mercado local, conforme apontou João Freitas, estrategista de investimentos do Santander.
Expectativas para a política monetária
Internamente, a divulgação do IPCA-15 de julho, que apresentou alta de 0,06%, consolidou a percepção de que há espaço para a continuidade do afrouxamento monetário. Cálculos do banco Bmg indicam que o mercado precifica agora uma probabilidade de 100% para um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic durante a reunião de agosto. O debate agora se volta para setembro, onde as apostas se dividem entre a manutenção da taxa ou um novo ajuste de baixa.
Outros indicadores, como a Pnad Contínua, que apontou uma taxa de desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em junho, foram recebidos com neutralidade, já que vieram em linha com as projeções dos analistas. Somou-se a esse contexto a queda de cerca de 1% no preço do petróleo, que também atuou como um fator de suporte para o alívio nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI).
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Fonte: canalrural.com.br
