Investigações comerciais dos EUA já impactam 98% da economia global

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A política comercial dos Estados Unidos atravessa um momento de expansão sem precedentes, transformando a dinâmica das trocas globais. Um estudo recente aponta que as investigações conduzidas por Washington já alcançam economias que representam 98% de toda a atividade econômica mundial fora do território norte-americano. O levantamento, intitulado “14 Apontamentos sobre a Conjuntura Comercial dos EUA, Brasil e o Resto do Mundo”, é de autoria do economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento.

O cenário atual ganha contornos de urgência, especialmente no Brasil, diante da expectativa sobre o anúncio de novas tarifas que o governo norte-americano pretende aplicar a produtos brasileiros. A análise, divulgada com exclusividade pela Coluna do Estadão, detalha como o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) tem intensificado o uso da Seção 301, um dispositivo legal que permite ações unilaterais contra práticas comerciais consideradas desleais.

Alcance das investigações e impacto no PIB mundial

O alcance da medida é vasto e abrange 85 países soberanos, além de Hong Kong. Juntas, essas nações somam aproximadamente US$ 84,5 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) nominal. Considerando que a economia global, excluindo os Estados Unidos, movimenta cerca de US$ 86 trilhões, o estudo de Troyjo conclui que o monitoramento comercial exercido pela Casa Branca possui um caráter praticamente universal.

A lista de economias sob investigação é extensa e inclui parceiros estratégicos e competidores diretos. Entre eles, destacam-se os 27 membros da União Europeia, além de nações como China, Japão, Índia, Coreia do Sul, México, Taiwan, Suíça e Noruega. O Brasil também figura entre os alvos, o que coloca o país em uma posição de atenção redobrada nas mesas de negociação diplomática e comercial.

Temas estratégicos na mira de Washington

As apurações não se limitam a questões tarifárias tradicionais. Elas abrangem um espectro amplo de temas que o governo dos Estados Unidos classifica como vitais para a sua segurança econômica e competitividade. Entre os pontos de maior atrito estão o excesso de capacidade industrial global, alegações de uso de mão de obra forçada, proteção à propriedade intelectual e o controle sobre a economia digital.

Além disso, o governo norte-americano tem voltado sua atenção para sistemas eletrônicos de pagamento e barreiras regulatórias que, segundo Washington, dificultam o acesso de empresas dos EUA a mercados estrangeiros. Essa abordagem reflete uma mudança de paradigma, onde a política comercial se funde com a segurança nacional e a disputa pela liderança tecnológica global.

Geopolítica e o poder do mercado consumidor

Para Marcos Troyjo, a Seção 301 deixou de ser um mecanismo isolado de proteção industrial para se tornar uma ferramenta central de influência geopolítica. Ao utilizar o acesso ao seu mercado consumidor como alavanca, os Estados Unidos exercem uma pressão significativa sobre seus parceiros. Com importações anuais na casa dos US$ 3,7 trilhões, o país mantém sua posição como o maior importador do planeta.

Para ilustrar a magnitude desse poder de barganha, o estudo destaca que o volume de importações americanas supera o PIB da França e é superior ao PIB combinado de todos os países do continente africano. Essa capacidade de ditar regras através do consumo reforça a posição central dos EUA na economia internacional, forçando países ao redor do globo a repensarem suas estratégias de exportação e conformidade regulatória perante as exigências de Washington.

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Fonte: canalrural.com.br