Justiça condena terceiro envolvido no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete

Justiça condena terceiro envolvido no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete

Justiça

O Tribunal do Júri proferiu, nesta terça-feira (13), a sentença que condena Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como BZ ou Buzuin, a 28 anos de reclusão pelo envolvimento no assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, amplamente conhecida como Mãe Bernadete. O veredito marca um passo importante na busca por justiça para um crime que chocou o país e expôs a vulnerabilidade de defensores de direitos humanos em territórios tradicionais.

Este é o terceiro julgamento concluído em relação ao caso. Anteriormente, a Justiça já havia sentenciado Arielson da Conceição dos Santos a uma pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias, enquanto Marílio dos Santos recebeu a condenação de 29 anos e 9 meses, vindo a falecer apenas dois dias após a decisão judicial. O processo segue em curso, com outros dois réus ainda aguardando a data de seus respectivos julgamentos.

Contexto do crime no Quilombo Pitanga dos Palmares

O assassinato de Mãe Bernadete ocorreu em 17 de agosto de 2023, dentro de sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado no município de Simões Filho, na Bahia. A brutalidade da ação, que envolveu 25 disparos de arma de fogo na presença dos netos da vítima, gerou comoção nacional e internacional.

De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público, a motivação do crime está diretamente ligada à atuação firme da líder quilombola contra a expansão do tráfico de drogas na região. A resistência de Bernadete em proteger seu território e sua comunidade tornou-a um alvo estratégico para grupos criminosos que buscavam o controle da área.

Trajetória de resistência e denúncias

A figura de Mãe Bernadete transcendia a liderança local. Como ialorixá e ex-secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho, ela dedicou décadas à defesa dos direitos dos povos quilombolas. Durante anos, a líder denunciou publicamente as ameaças de morte que recebia, evidenciando a falta de proteção estatal adequada para defensores de direitos humanos no Brasil.

A dor da família e da comunidade era agravada pela impunidade em outro caso emblemático: o assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, ocorrido em 2017. Desde então, Bernadete liderava uma incansável batalha por justiça e esclarecimento sobre a morte de seu filho, um crime que, até o momento, permanece sem solução definitiva, conforme detalhado em reportagem da Agência Brasil.

O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos deste processo e os próximos julgamentos, mantendo o compromisso de levar aos nossos leitores uma cobertura jornalística séria, aprofundada e contextualizada sobre os temas que impactam a sociedade brasileira. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e variedade de conteúdos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br