A imagem clássica do executivo trajado em terno alinhado e gravata perdeu o monopólio nos corredores do alto escalão corporativo. Liderada por nomes icônicos do setor de inovação, a cultura do Vale do Silício consolidou um vestuário focado em camisetas básicas, calças jeans e tênis esportivos. Contudo, por trás da aparente simplicidade de peças neutras, esconde-se um mercado de peças exclusivas feitas sob medida para magnatas globais.
O conceito ganhou novos holofotes com o lançamento do filme O Outro Lado das Redes, obra roteirizada por Aaron Sorkin sobre os bastidores do Facebook entre os anos de 2019 e 2021. No longa-metragem, o ator Jeremy Strong interpreta o empresário Mark Zuckerberg, cuja fortuna é estimada em US$ 222 bilhões. Para recriar o figurino com precisão histórica, a equipe de produção buscou reproduzir fielmente o guarda-roupa da época, composto em grande parte por itens sofisticados de malharia italiana.
Luxo discreto ganha as telas no novo filme sobre os bastidores do Facebook
A responsável pelo figurino da produção, Susan Lyall, revelou que a reconstrução das roupas do fundador da Meta exigiu um trabalho minucioso de pesquisa. Em entrevista ao jornal The Guardian, a figurinista contou que o próprio Jeremy Strong colaborou ativamente na busca por peças originais usadas pelo executivo há cerca de cinco ou seis anos.
A busca levou a equipe diretamente aos catálogos da Brunello Cucinelli, marca italiana de altíssimo padrão reconhecida pela estética elegante e sem logotipos aparentes. A grife tornou-se a favorita de grandes nomes da tecnologia, como Zuckerberg, Steve Jobs e Sam Altman, ao oferecer um visual sóbrio, mas confeccionado com matérias-primas de raríssima qualidade.
O custo real das peças aparentemente simples de Mark Zuckerberg
Embora as peças pareçam comuns à primeira vista, os valores praticados pela casa italiana distanciam-se drasticamente do varejo tradicional. A marca é especializada em artigos de cashmere e corte refinado, atendendo a um público que busca exclusividade sem ostentação aparente.
No catálogo da empresa, suéteres canelados alcançam a marca de US$ 4.600 (cerca de R$ 23 mil), enquanto cardigãs de cashmere mais elaborados podem chegar a US$ 16.500 (aproximadamente R$ 83 mil). No mercado brasileiro, um suéter de cashmere similar ao utilizado por Zuckerberg no cotidiano é vendido por valores na casa de R$ 12 mil.
Transição visual de t-shirts neutras a correntes e ousadia
A escolha por um vestuário padronizado começou como uma estratégia prática de produtividade. Em declarações feitas em 2014, o criador do Facebook explicou que vestia camisetas cinzas diariamente para economizar energia mental e evitar o desgaste de tomar decisões banais logo no início do dia. Essa filosofia espelhava o hábito de Steve Jobs, famoso por adotar camisetas de gola alta da marca Issey Miyake combinadas com jeans e tênis.
Entretanto, o visual do empresário passou por uma transformação perceptível nos últimos anos. Afastando-se gradativamente da padronização rígida do passado, Zuckerberg adotou correntes douradas, trajes de estampas mais vivas e parcerias com designers de moda, sinalizando uma renovação em sua imagem pública.
A história da casa italiana e o modelo de negócios de Solomeo
Fundada em 1978 pelo estilista que dá nome à marca, a Brunello Cucinelli ergueu seu império focando na alfaiataria fina e na malharia de alto padrão. Sua paleta de cores prioriza tons neutros como marrom, bege, cinza e azul-marinho, evitando estampas extravagantes ou grandes símbolos visíveis.
O fundador defende a filosofia do capitalismo humanista, modelo que busca alinhar a lucratividade financeira ao desenvolvimento sustentável e ao bem-estar dos colaboradores. A sede do grupo fica na pequena vila medieval de Solomeo, localizada na região da Úmbria, restaurada com investimentos do próprio empresário.
A estratégia tem se mostrado altamente vantajosa no mercado financeiro global. A grife registrou crescimento de dois dígitos em suas receitas no terceiro trimestre e elevou as projeções de vendas para os próximos períodos, reafirmando a força do consumo de produtos de alto padrão mesmo em tempos de incerteza econômica.

