Os Paralamas do Sucesso revivem o clássico Selvagem? no festival Doce Maravilha

Os Paralamas do Sucesso revivem o clássico Selvagem? no festival Doce Maravilha

Economia

Quarenta anos após o seu lançamento original, o emblemático álbum Selvagem?, de Os Paralamas do Sucesso, volta a ocupar o centro das atenções. O trio, formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, apresentará o disco na íntegra durante a quarta edição do festival Doce Maravilha, que ocorre no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro. A performance é um dos pontos altos da programação de 2026, que celebra a diversidade da música brasileira.

A história de Selvagem? é marcada por uma inversão de lógica criativa. Antes mesmo de qualquer nota ser gravada, a banda já tinha definido o conceito visual e o título do projeto. A capa, que exibe uma fotografia do irmão de Bi Ribeiro durante um acampamento em Brasília, já decorava o quarto onde o grupo ensaiava em Copacabana. A provocação contida no nome, acompanhada pela interrogação, tornou-se um marco na trajetória do rock nacional.

O nascimento de um clássico em meio ao imprevisto

O contexto de criação do álbum foi atípico. Após o sucesso estrondoso de O Passo do Lui e a consagração no Rock in Rio de 1985, a banda vivia uma rotina exaustiva de shows. A oportunidade de compor surgiu apenas após um acidente de carro sofrido por João Barone, que o deixou temporariamente afastado da bateria. Foi durante esse período de recuperação que o baterista escreveu a letra de Melô do Marinheiro, dando o tom para o novo trabalho.

Diferente da pressão comercial por sucessos radiofônicos, o trio encarou o projeto como uma oportunidade de experimentação. Bi Ribeiro relembra que a intenção era fugir das fórmulas que haviam consolidado o grupo anteriormente. Produzido por Liminha, o disco foi concebido de forma orgânica, com uma instrumentação enxuta baseada em baixo, guitarra e bateria, resultando em um som que, contra todas as expectativas, alcançou grande popularidade.

Reencontro com o público e o legado da obra

A apresentação no Doce Maravilha, evento organizado pela Bonus Track, de Luiz Oscar e Luiz Guilherme Niemeyer, reforça a perenidade do álbum. Com curadoria de Nelson Motta, o festival se consolida como um espaço de diálogo entre gerações da música brasileira. Para João Barone, a transformação de um disco em clássico é um fenômeno que escapa ao controle dos artistas, dependendo da conexão que o público estabelece com a obra ao longo das décadas.

Embora o repertório de Selvagem? seja revisitado em ocasiões especiais — como também ocorrerá no festival C6 no Rock, em São Paulo —, a banda mantém o foco em sua trajetória atual. O grupo, que possui uma base de fãs fiel em países como Argentina, Chile e Uruguai, segue redesenhando seus formatos de palco, priorizando a qualidade sonora que sempre pautou a carreira do trio.

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Fonte: seudinheiro.com