O que começou como uma necessidade doméstica durante a pandemia de coronavírus transformou-se em um modelo de negócio promissor no Distrito Federal. A Cani Bravo, empresa especializada em alimentação natural e confeitaria para cães, rompeu com o padrão das rações industrializadas ao oferecer um cardápio que inclui desde carnes nobres, como coelho e rã, até bolos de aniversário com estética de alta confeitaria.
Fundada em agosto de 2021 pela empreendedora Thays Bié, de 34 anos, e sua sócia, Mariana, a marca nasceu da busca por alternativas saudáveis para o cão da família, que na época demandava cuidados nutricionais específicos. O que era um preparo artesanal para atender uma necessidade pessoal ganhou escala, profissionalizou-se e hoje movimenta um faturamento que ultrapassou o limite do Microempreendedor Individual (MEI), levando a empresa a uma nova fase de estruturação como microempresa (ME).
A transição da cozinha doméstica para o mercado gastronômico
Antes de encontrar seu nicho no mercado pet, Thays Bié percorreu diferentes caminhos profissionais. Natural de Porangatu, em Goiás, ela atuou com costura e vendas de cursos online antes de ser forçada a reinventar sua fonte de renda durante o isolamento social. A primeira tentativa no setor alimentício foi voltada para humanos, mas foi a observação do comportamento do seu próprio animal de estimação que revelou uma oportunidade inexplorada.
Após validar os produtos com amigos e em praças locais, a operação cresceu e exigiu mudanças estratégicas. A decisão de fechar um ponto comercial físico, que limitava a produção, para investir em uma cozinha planejada em uma região mais afastada de Brasília, foi um marco. Para compensar a distância dos clientes, a empresa adotou uma estratégia inusitada: ocupar espaços em feiras gastronômicas voltadas ao público humano, onde a marca atua como um diferencial curioso e atrativo.
Estratégia de vendas e o apelo da confeitaria pet
A escolha de participar de eventos gastronômicos convencionais, especialmente no bairro Noroeste, em Brasília, provou ser um acerto. A apresentação dos produtos, que mimetiza a confeitaria tradicional, atrai a atenção de quem não conhece o mercado pet. Segundo Thays Bié, o impacto visual é a porta de entrada para novos clientes que, ao se aproximarem, descobrem que os bolos são, na verdade, nutritivos e feitos com proteínas como carne bovina.
Essa frente de confeitaria cumpre uma função dupla: além de ser lucrativa, ela permite o aproveitamento de insumos da linha de alimentação natural, reduzindo o desperdício na cozinha. Ingredientes como batata-doce, por exemplo, são reaproveitados com criatividade para compor as receitas dos petiscos e bolos, que possuem preços acessíveis, com opções a partir de R$ 20.
Desafios operacionais e o futuro da marca
Apesar do crescimento, a Cani Bravo enfrenta um gargalo comum a muitos empreendedores do setor: a dificuldade em manter uma equipe estável. A alta rotatividade de funcionários tem forçado as sócias a centralizar grande parte da produção, contando apenas com o suporte pontual de um cozinheiro freelancer. A busca por profissionais qualificados é constante, utilizando redes sociais e grupos de empreendedorismo para tentar contornar a escassez de mão de obra.
Com um faturamento anual de R$ 81 mil no último exercício, a empresa agora projeta novos passos, incluindo o estudo de modelos de franquia. A transição para o porte de microempresa reflete a maturidade do negócio, que se sustenta majoritariamente em dietas personalizadas — responsáveis por 80% da demanda — seguidas por prescrições de veterinários nutricionistas. Para quem deseja acompanhar os desdobramentos deste mercado e outras inovações do setor, o ConexRS segue atento às movimentações que transformam o cenário econômico e social do país.
Fonte: seudinheiro.com
