Polícia Federal investiga fraude milionária em licitações de ambulâncias no Rio Grande do Sul

Polícia Federal investiga fraude milionária em licitações de ambulâncias no Rio Grande do Sul

Rio Grande do Sul

A atuação de um grupo empresarial investigado por fraudes milionárias em contratos públicos de saúde e transporte escolar mobilizou agentes da Polícia Federal no estado do Rio Grande do Sul. O esquema criminoso, que movimentou recursos públicos de forma irregular, causou um prejuízo estimado em R$ 1,4 milhão aos cofres municipais, conforme os levantamentos iniciais conduzidos pelas autoridades competentes.

A ofensiva policial foi deflagrada com o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão em diferentes regiões gaúchas, abrangendo os municípios de Caçapava do Sul e Bom Retiro do Sul. A ação busca reunir novas provas documentais e digitais para dimensionar o alcance total das irregularidades cometidas na administração pública local.

Esquema familiar e simulação de concorrência nas licitações

De acordo com o inquérito policial, as empresas envolvidas na fraude mantinham laços estreitos de parentesco e sociedade entre seus proprietários. Essa proximidade permitia que o grupo articulasse um controle artificial sobre os processos licitatórios voltados à contratação de ambulâncias, vans, micro-ônibus e serviços de transporte escolar.

Na prática, as companhias simulavam uma disputa comercial para dar aparência de legalidade aos certames, enquanto, nos bastidores, os vencedores já estavam previamente definidos. A apuração também aponta indícios de facilitação e conivência por parte de servidores públicos municipais, que teriam auxiliado na validação das contratações irregulares.

Irregularidades na prestação dos serviços de saúde

Além do direcionamento das licitações, a investigação revelou um padrão recorrente de falhas e desvios na execução dos serviços prestados à população. Entre as práticas identificadas estão a cobrança por quilometragens superiores à distância real percorrida pelas ambulâncias e o emprego de veículos inadequados ou de categoria inferior à exigida nos contratos firmados com o poder público.

Os investigadores também detectaram o faturamento recorrente de viagens que jamais foram realizadas, lesando diretamente os cidadãos que dependem do suporte de saúde pública e do transporte municipal no estado.