A corrida eleitoral de 2026 já movimenta os bastidores de Brasília com estratégias que buscam equilibrar o desgaste de adversários e a conquista de parcelas decisivas do eleitorado. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) adotou uma tática de divisão de tarefas para lidar com a imagem da primeira-dama, Janja Lula da Silva. Enquanto o presidenciável mantém uma postura de cautela em suas aparições públicas para evitar o afastamento das eleitoras, aliados próximos foram escalados para liderar o embate direto nas redes sociais.
A ofensiva da tropa de choque nas redes sociais
O núcleo da estratégia consiste em delegar a parlamentares da chamada “tropa de choque” a missão de questionar a atuação e os gastos da primeira-dama. O objetivo é transformar a figura de Janja em um alvo de críticas sobre o uso de recursos públicos, focando em temas como viagens presidenciais, estrutura de gabinete e despesas de eventos oficiais do governo. A narrativa busca desvincular as críticas de uma suposta misoginia, argumento frequentemente utilizado pela primeira-dama para rebater ataques.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos nomes que reforçou essa linha de atuação. Em publicações recentes, o parlamentar questionou a legitimidade das críticas à primeira-dama, argumentando que o questionamento sobre o uso de verbas públicas não deveria ser rotulado como preconceito de gênero. De forma semelhante, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) utilizou suas plataformas digitais para apontar valores que, segundo ela, teriam sido destinados a despesas de viagem e assessoria, cobrando maior transparência da gestão federal.
O desafio de conquistar o eleitorado feminino
O cuidado da campanha de Flávio Bolsonaro em não confrontar Janja diretamente reflete uma preocupação estatística: a dificuldade histórica do campo bolsonarista em converter o voto feminino. Pesquisas de intenção de voto apontam que este segmento do eleitorado é um dos mais resistentes ao projeto político do senador, o que exige uma abordagem mais polida e menos agressiva por parte do candidato.
Para tentar reverter esse cenário, a estratégia de comunicação tem buscado humanizar a imagem da campanha. Uma das frentes confirmadas é a maior exposição de Fernanda Bolsonaro, esposa do senador. Durante a convenção do PL realizada no último sábado (25), que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência da República, Fernanda teve um papel de destaque. Em seu discurso, ela reforçou o apoio ao marido e defendeu a necessidade de mudanças no cenário político nacional, em um movimento claro para atrair a identificação das eleitoras.
Contexto e repercussão no cenário político
O embate em torno da figura da primeira-dama não é um fenômeno novo, mas ganha contornos específicos nesta pré-campanha. A polarização, que já domina as redes sociais, utiliza a imagem de Janja como um símbolo da gestão petista, tornando-a um alvo estratégico tanto para desgastar o governo quanto para mobilizar a base de apoiadores do PL. A repercussão dessas críticas, contudo, é acompanhada de perto por analistas, que observam como o eleitorado feminino reagirá a essa ofensiva coordenada contra uma figura que, embora não possua cargo eletivo, exerce influência política reconhecida no atual governo.
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Fonte: redir.folha.com.br
