O mercado de hortifrúti brasileiro apresentou um alívio importante para o bolso do consumidor e para a cadeia de abastecimento durante o mês de agosto. Segundo o 9º Boletim Hortigranjeiro, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), itens essenciais da mesa dos brasileiros, como batata, cebola, alface e mamão, registraram quedas superiores a 10% na média ponderada de comercialização nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país.
Dinâmica de preços e o impacto da oferta no mercado
O movimento de queda nos preços reflete, primordialmente, uma normalização na oferta de produtos após períodos de instabilidade climática ou entressafra. A batata, que vinha de uma sequência de altas desde fevereiro, apresentou um recuo médio de 11,6%, sendo cotada a R$ 2,63 por quilo. O cenário foi ainda mais expressivo em praças como Rio Branco (AC), onde a redução chegou a 46,35%, indicando uma recomposição robusta dos estoques.
A cebola seguiu tendência similar, com queda média de 13,8% em nove das dez unidades monitoradas pela Conab. O desempenho é justificado pela concentração da produção em Minas Gerais e São Paulo, estados que, juntos, respondem por metade do volume comercializado no período. Já a alface, apesar de uma retração de 4,3% na oferta em comparação a julho, manteve-se estável o suficiente para que a safra de inverno suprisse a demanda, resultando em uma queda média de 14,8% nos preços.
Comportamento das frutas e o cenário de exportação
No setor de fruticultura, o mamão foi o destaque positivo, com redução de 10,9% nos valores. O aumento da disponibilidade das variedades formosa e papaya, especialmente em centros como Vitória (ES) e São Paulo (SP), facilitou o acesso ao produto. Enquanto isso, a melancia e a laranja também registraram baixas, embora mais discretas, de 3,24% e 0,95%, respectivamente.
É importante notar que o mercado não é uniforme. Enquanto boa parte dos hortigranjeiros cedeu, o tomate destoou da tendência, com uma alta de 18,13% na média ponderada. Esse comportamento reforça a volatilidade característica do setor, que depende diretamente das condições sazonais e logísticas para definir o preço final ao consumidor.
Desempenho do setor no comércio exterior
Além do mercado interno, o setor hortigranjeiro brasileiro demonstra força nas transações internacionais. Dados compilados pelo Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort) indicam que, nos primeiros oito meses de 2026, as exportações atingiram 789 mil toneladas. O volume representa um crescimento de 10,6% em relação ao mesmo período de 2025, com um faturamento que ultrapassou a marca de US$ 1,01 bilhão, uma alta expressiva de 20%.
Esses números consolidam a relevância do Brasil como um player estratégico no fornecimento de alimentos. A análise detalhada da Conab, disponível no portal oficial do governo, serve como termômetro para produtores e comerciantes que buscam entender as oscilações de um mercado dinâmico.
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Fonte: canalrural.com.br
