O mercado brasileiro de soja segue sob forte pressão, influenciado diretamente pelo câmbio próximo de R$ 5,00 e pela queda dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Diante desse cenário econômico desafiador, os produtores adotam uma postura mais retraída nas negociações e concentram as atenções no avanço do plantio da nova safra.
O encerramento da sexta-feira (23) foi marcado pela valorização dos preços da oleaginosa no país, mas com poucos negócios efetivamente registrados. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, houve escassez de indicações de compra, enquanto a saturação dos portos limitou ainda mais a comercialização interna e o fluxo logístico.
Impacto do câmbio e oscilação nas praças
O dólar comercial encerrou o período em queda de 0,96%, cotado a R$ 4,9897 para venda e R$ 4,9877 para compra, oscilando entre R$ 4,9887 e R$ 5,0558 durante a sessão. Essa movimentação cambial gerou cautela adicional entre os agentes econômicos envolvidos na exportação do grão.
Ao longo da semana, o volume de comercialização apresentou alguma melhora em relação aos dias anteriores, mas permaneceu abaixo do patamar observado três semanas antes. No mercado físico, a saca de 60 quilos avançou para R$ 148,00 em Passo Fundo (RS), R$ 149,00 em Santa Rosa (RS) e R$ 142,00 em Cascavel (PR).
Em outras praças importantes, os preços mantiveram estabilidade. Rondonópolis (MT) permaneceu cotada a R$ 141,00, Dourados (MS) seguiu em R$ 140,00 e Rio Verde (GO) manteve-se em R$ 139,00. Nos terminais portuários, a saca subiu para R$ 153,00 em Paranaguá (PR) e atingiu R$ 155,00 em Rio Grande (RS).
Desempenho internacional e cenário externo
Na quinta-feira (22), os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago fecharam em alta para o grão e o óleo, enquanto o farelo recuou. A recuperação ocorreu após uma sequência de oito sessões consecutivas de perdas, impulsionada por compras de fundos de investimento e pela demanda aquecida vinda da China.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que as vendas líquidas norte-americanas de soja da safra 2026/27 somaram 2,84 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. Desse total, a China respondeu por 2,18 milhões de toneladas, ficando dentro das expectativas projetadas pelo mercado agrícola internacional.
No entanto, o avanço da colheita nos Estados Unidos, favorecido por condições climáticas favoráveis, amplia a disponibilidade do produto e pressiona as cotações para baixo. Os produtores norte-americanos também direcionam esforços para a colheita do milho, enquanto as projeções de uma safra brasileira expressiva em 2026/27 permanecem no radar dos operadores.
Projeções da abiove para o próximo período
As exportações brasileiras de soja deverão recuar 0,8% em 2027, totalizando 113 milhões de toneladas, reflexo direto do aumento da demanda interna para processamento industrial. A estimativa foi divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
A entidade projeta que o esmagamento nacional alcance o recorde de 66 milhões de toneladas em 2027, representando um crescimento de 3,8% em relação a 2026. Esse avanço será impulsionado principalmente pela expansão no consumo de óleo de soja pela indústria de biodiesel.

