Desenvolvida sem a necessidade de cirurgia ou do uso cotidiano de colas, uma inovadora prótese de silicone externa tem transformado a rotina de mulheres que perderam o mamilo durante tratamentos contra o câncer de mama. A peça reproduz fielmente o formato tridimensional da aréola e o relevo natural do mamilo, funcionando como um importante recurso para a recuperação da imagem corporal e da autoconfiança de pacientes que enfrentaram procedimentos invasivos.
O impacto emocional da perda decorrente da doença é profundo, como relatam muitas das mulheres que buscam alternativas estéticas e funcionais para restabelecer a simetria corporal. A solução surgiu no Rio Grande do Sul a partir da escuta atenta de demandas reais de pacientes, unindo a expertise da reabilitação bucomaxilofacial com o design voltado para a saúde e o bem-estar feminino.
Inovação desenvolvida por especialista
A criação da peça nasceu do trabalho da cirurgiã-dentista Ana Choer, especialista em prótese bucomaxilofacial, área tradicionalmente dedicada a devolver partes do corpo perdidas por traumas ou doenças. O ponto de partida foi o relato de uma paciente insatisfeita com modelos importados ou disponíveis no mercado digital, cujos mamilos ocos cediam sob o peso das roupas comuns.
A partir dessa queixa, a profissional iniciou uma série de pesquisas e esboços em colaboração com designers especializados. O resultado foi o desenvolvimento de um silicone de grau médico testado rigorosamente contra o suor e a radiação ultravioleta, garantindo durabilidade, textura realista e resistência suficiente para não afundar com a pressão do vestuário diário.
Praticidade e fixação sem adesivos químicos
Um dos diferenciais mais destacados pelas usuárias é a facilidade de uso cotidiano. A prótese adere à pele limpa por meio de um sistema de sucção natural, bastando pressionar a peça por cerca de dez segundos antes de vestir a roupa, o que elimina o desconforto e os cuidados excessivos com colas especiais no dia a dia.
Além da praticidade em atividades rotineiras, o material foi projetado para resistir a situações cotidianas diversas, incluindo banhos de mar ou de piscina. Comercializado em pares e disponível em três tonalidades adaptadas à diversidade da população brasileira, o acessório oferece versatilidade tanto para quem busca uma alternativa provisória quanto para quem prefere uma solução definitiva.
Impacto na autoestima e na relação com o corpo
Para pacientes como Cristina, que enfrentou diagnósticos da doença e procedimentos cirúrgicos complexos, a prótese cumpre múltiplos papéis na recuperação da harmonia corporal. Além de substituir visualmente a estrutura perdida, o relevo tridimensional ajuda a disfarçar cicatrizes e depressões na pele geradas pelas intervenções médicas iniciais.
Especialistas ressaltam que o artefato não substitui métodos cirúrgicos tradicionais ou técnicas como a tatuagem de aréola, mas atua como um complemento valioso que devolve o aspecto natural visto de cima pela própria mulher. Essa restituição visual favorece o resgate da identidade e fortalece o processo de superação psicológica durante e após a fase de tratamento.
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Fonte: g1.globo.com

