Rabobank projeta recuo na produção de açúcar do Centro-sul para a safra 2026/27

Rabobank projeta recuo na produção de açúcar do Centro-sul para a safra 2026/27

Agro

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil deve registrar uma queda na safra 2026/27, contrariando as expectativas de uma moagem de cana-de-açúcar robusta. Segundo análise do Rabobank, o cenário é considerado “quase certo”, impulsionado por um mix de produção mais voltado ao etanol e por um desempenho acumulado que sinaliza uma oferta menor do adoçante em comparação ao ciclo anterior, que atingiu 40,4 milhões de toneladas.

O desafio do mix entre açúcar e etanol

O ponto central da análise, assinada pelo estrategista global de açúcar do Rabobank, Andy Duff, reside na destinação da matéria-prima. Embora a moagem total de cana esteja projetada entre 630 milhões e 645 milhões de toneladas — um volume favorecido pelas chuvas registradas entre maio e junho —, a parcela convertida em açúcar tem sido insuficiente para igualar os patamares da safra passada.

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e do Ministério da Agricultura indicam que o mix açucareiro oscilou entre 42,5% e 44% nos primeiros meses da safra. Para que o Brasil alcançasse novamente a marca de 40,4 milhões de toneladas, seria necessário um direcionamento agressivo de 53% da cana para o açúcar até o encerramento do ciclo, uma mudança de rota que o banco avalia como improvável diante da dinâmica atual do mercado.

Impacto das cotações internacionais e cenário global

O mercado de açúcar reagiu com volatilidade em agosto, quando os preços do contrato futuro com vencimento em outubro atingiram 17,5 centavos de dólar por libra-peso. Essa valorização de cerca de 20% em dólar, impulsionada também por preocupações com a produção na Índia — onde chuvas de monções abaixo da média e a necessidade de importação de 1 milhão de toneladas elevaram a tensão global —, trouxe um novo componente à equação brasileira.

A alta dos preços internacionais pode, em tese, estimular as usinas a priorizarem o açúcar em detrimento do etanol. No entanto, o Rabobank alerta que a valorização pode encontrar resistência caso produtores aproveitem os patamares atuais para travar vendas, além de observar que o etanol também apresentou sinais de recuperação de preços, mantendo a disputa pela preferência das usinas em um equilíbrio delicado.

Riscos climáticos e o monitoramento da safra

O clima continua sendo a variável de maior peso para o desfecho da safra 2026/27. O Rabobank mantém o fenômeno El Niño sob monitoramento constante, alertando que condições atípicas podem comprometer o cronograma de colheita. Qualquer dificuldade logística ou atraso na retirada da cana do campo pode forçar novas revisões nas estimativas, impactando diretamente o volume disponível para exportação.

A decisão final das usinas, portanto, permanece atrelada a uma complexa combinação de fatores: a remuneração do biocombustível, a qualidade da matéria-prima e a janela de tempo disponível para a moagem. Enquanto o mercado global observa o Brasil, a certeza de uma produção menor de açúcar coloca o setor em estado de alerta para os próximos meses.

Para acompanhar os desdobramentos do agronegócio, as oscilações de mercado e análises aprofundadas sobre os setores que movem a economia brasileira, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você informações relevantes, atualizadas e com o rigor jornalístico que o seu dia a dia exige.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br