Sementes piratas ameaçam lavouras de melão e melancia com bactéria devastadora

Sementes piratas ameaçam lavouras de melão e melancia com bactéria devastadora

Agro

O setor agrícola brasileiro enfrenta um alerta crítico de biossegurança. A disseminação de sementes sem procedência comprovada, popularmente conhecidas como “sementes piratas”, tem facilitado a entrada e o avanço da mancha bacteriana do fruto (BFB) em polos produtores de melão e melancia. A doença, causada pela bactéria Acidovorax citrulli, é capaz de devastar plantações inteiras, gerando prejuízos econômicos severos para o agronegócio nacional.

O perigo invisível da bactéria Acidovorax citrulli

A Acidovorax citrulli é um patógeno de alta agressividade que não encontra, até o momento, tratamentos químicos plenamente eficientes para o seu controle em campo. A grande dificuldade reside na capacidade de sobrevivência da bactéria em diversas condições e hospedeiros. Além das cucurbitáceas, o patógeno pode persistir em culturas como milho, tomate e pimentão, muitas vezes sem manifestar sintomas visíveis nessas plantas, o que torna a erradicação um desafio técnico complexo.

Relatos da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM) indicam que a presença da doença já foi identificada em áreas estratégicas, como o Vale do São Francisco, tradicional polo de melão, e em regiões produtoras de melancia no Centro-Oeste. A introdução do patógeno em uma propriedade não compromete apenas a safra vigente, mas pode inviabilizar o uso do solo para novas plantações por longos períodos.

Riscos do mercado informal de sementes

O uso de materiais comercializados fora dos sistemas oficiais é o principal vetor de entrada da BFB nas lavouras. Diferente das sementes certificadas, que passam por rigorosos processos de controle sanitário, rastreabilidade e testes de qualidade, os produtos piratas são frequentemente vendidos em embalagens inadequadas ou até mesmo em recipientes improvisados, como garrafas PET, sem qualquer garantia de origem.

Ayrton Tullio, diretor setorial de Mudas da ABCSEM, reforça que a economia imediata na compra de sementes sem procedência é um cálculo perigoso. O produtor que opta pelo material irregular assume o risco de introduzir patógenos de difícil controle, o que eleva exponencialmente os custos de manejo e pode resultar na perda total da produção por má-formação ou apodrecimento dos frutos.

Estratégias de prevenção e conscientização

Diante desse cenário, o setor tem intensificado ações para coibir a pirataria. Em 2025, a ABCSEM lançou uma campanha nacional sob o lema “Sementes e mudas piratas, quem perde é o produtor”. A iniciativa busca educar o campo sobre a importância vital da sanidade vegetal e valorizar as empresas que investem em pesquisa e tecnologia dentro das normas regulamentares.

Além da conscientização, a criação de um selo específico de combate à pirataria visa facilitar a identificação de produtos confiáveis. Para Mariana Barreto, secretária executiva da ABCSEM, a medida é um passo fundamental para proteger a ética no mercado e garantir a sustentabilidade da fruticultura brasileira. A recomendação técnica é clara: a biossegurança começa antes mesmo do plantio, com a escolha de insumos que possuam procedência comprovada e rastreabilidade garantida.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br