O que começou como uma iniciativa modesta para complementar o orçamento doméstico transformou-se em um dos maiores expoentes da gastronomia regional mineira. Em Piranguinho, no sul de Minas Gerais, a produção de pé de moleque transcendeu o caráter artesanal para ganhar proporções industriais, movimentando a economia local e levando a tradição do doce, reconhecido como patrimônio imaterial, para centenas de cidades brasileiras.
Origens informais e a fundação da Barraca Amarela
A história da Barraca Amarela remonta a 1974, quando José da Silva, conhecido como Zezinho, iniciou a produção dos doces. Inicialmente, o negócio não possuía ambições corporativas; o fundador, que atuava como pescador, utilizava a venda dos doces como uma forma de gerar renda extra e ocupar o tempo livre.
A receita, composta basicamente por amendoim e rapadura, rapidamente ganhou aceitação local. Zezinho relata que a comercialização começou de forma informal, oferecendo os produtos em mercearias e até mesmo durante intervalos de partidas de futebol. O sucesso inicial permitiu que o empreendedor expandisse as vendas para cidades vizinhas, como São Lourenço, consolidando uma base de clientes fiéis.
A transição para o ponto físico na BR-459
Após doze anos de atuação itinerante, Zezinho decidiu estabelecer um ponto fixo na BR-459, rodovia que se tornou o principal corredor de venda de doces na região. A escolha da cor amarela para a fachada foi uma homenagem à sua trajetória como pescador, remetendo à coloração do peixe dourado.
A construção da estrutura física ocorreu de forma orgânica, financiada exclusivamente pelo lucro das vendas, sem o auxílio de crédito bancário. Durante três décadas, a operação manteve um perfil estritamente familiar, com a participação ativa dos filhos no atendimento aos clientes e na gestão cotidiana do negócio.
Sucessão familiar e profissionalização da gestão
A entrada da segunda geração na administração da empresa foi um divisor de águas para a marca. Ana Paula Veríssimo, filha de Zezinho, assumiu o comando após um período de afastamento dos negócios da família. Em 2004, ela inaugurou uma segunda unidade, expandindo a capacidade de distribuição e profissionalizando o atendimento.
A necessidade de adequação às normas da vigilância sanitária impulsionou a empresa a buscar novos patamares de gestão. O processo envolveu a contratação de especialistas, como nutricionistas, e a implementação de rigorosos controles de qualidade e rotulagem, preparando o terreno para a industrialização.
Escala industrial e presença no mercado nacional
Em 2011, a inauguração da primeira fábrica marcou a transição definitiva para o modelo industrial. Com uma estrutura de 1,6 mil metros quadrados, a empresa passou a processar 80 mil unidades de doces diariamente, incluindo pé de moleque, pé de moça e paçocas, mantendo a essência da receita original adaptada para conservação em larga escala.
Atualmente, a Barraca Amarela atende 600 municípios em 14 estados, com foco estratégico no modelo B2B. A empresa abastece padarias, restaurantes e supermercados, enquanto mantém a tradição de venda direta ao consumidor nas lojas físicas em Piranguinho. Para mais detalhes sobre a trajetória do setor, consulte a fonte oficial do Sebrae.
Fonte: seudinheiro.com
