O Banco Safra atualizou suas projeções para as gigantes do varejo brasileiro Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3), adotando uma postura mais cautelosa diante do cenário macroeconômico. A instituição financeira revisou para baixo os preços-alvo de ambas as companhias, citando a forte correlação entre o consumo de bens duráveis e o atual patamar elevado das taxas de juros no país.
Para o Magazine Luiza, o preço-alvo foi ajustado de R$ 10 para R$ 6, mantendo a recomendação neutra. Já para as Casas Bahia, o corte foi mais acentuado, saindo de R$ 3 para R$ 1,20, com a manutenção da recomendação underperform, que sinaliza uma expectativa de desempenho abaixo da média do mercado. A análise reflete a dificuldade do setor em sustentar margens em um ambiente de crédito restrito.
Desafios operacionais e financeiros no Magazine Luiza
Os analistas do Safra apontam que o Magazine Luiza enfrenta um cenário de pressão contínua. A estimativa de crescimento de longo prazo foi reduzida, com a taxa de crescimento anual composta (CAGR) projetada em 4% para o período entre 2029 e 2036, ante os 4,5% previstos anteriormente. O banco justifica a cautela pela ausência de sinais claros de recuperação nas vendas de bens duráveis.
Apesar disso, o relatório reconhece a resiliência da empresa em ganhar participação de mercado nas lojas físicas. Contudo, a rentabilidade segue sob vigilância. O banco reduziu a estimativa de margem bruta em 40 pontos-base para 2026 e 2027, destacando que o ambiente competitivo no marketplace (3P) pressiona o mix de receitas, uma vez que as operações próprias (1P) e as lojas físicas tradicionais possuem margens naturalmente inferiores.
O impacto nos lucros é significativo. As projeções de lucro líquido foram cortadas em 67% para 2026 e 22% para 2027. Segundo o Banco Safra, a combinação de um desempenho operacional mais contido com o aumento das despesas financeiras, impulsionado pelos juros altos, limita o potencial de valorização do papel.
Perspectivas cautelosas para Casas Bahia
No caso das Casas Bahia, a análise do Safra foca na necessidade de uma melhora consistente na geração de caixa. A companhia consumiu R$ 1,6 bilhão nos últimos 12 meses, um fator que mantém os investidores em alerta. O banco revisou para baixo a velocidade de expansão da margem EBITDA, projetando 9,1% na perpetuidade, contra a estimativa anterior de 9,7%.
Embora o banco reconheça os esforços da gestão para reestruturar o capital da empresa — processo que incluiu a conversão de dívidas em ações e resultou em diluição para os acionistas —, a recomendação de venda permanece. Para os analistas, a empresa ainda precisa demonstrar que o plano de recuperação operacional é capaz de reverter o consumo de caixa e elevar o retorno sobre o capital investido (ROIC), estimado em cerca de 4% entre 2025 e 2028.
O cenário para o varejo de bens duráveis segue como o principal entrave. Sem uma melhora na demanda, as despesas financeiras continuam a corroer os resultados líquidos, forçando o mercado a ajustar suas expectativas para baixo. O acompanhamento atento desses indicadores é essencial para investidores que buscam entender os próximos passos do setor no mercado de capitais.
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