Logística e união como motores do campo
A produção agrícola de pequenas propriedades em Domingos Martins, no Espírito Santo, ganhou um novo fôlego logístico. Por meio da Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), alimentos frescos colhidos por famílias rurais estão chegando diariamente às mesas de estudantes em 78 municípios capixabas. A iniciativa transforma a realidade de produtores locais, que encontram na cooperativa um canal eficiente para escoar suas safras sem a necessidade de negociações individuais desgastantes.
A estrutura montada pela organização vai além da intermediação. A cooperativa centraliza a coleta, a conferência e a distribuição dos itens, garantindo que frutas, legumes e verduras cheguem às unidades de ensino dentro dos prazos e padrões exigidos. Esse modelo de gestão coletiva permite que pequenos agricultores, muitas vezes isolados geograficamente, alcancem mercados distantes e participem ativamente das compras públicas de alimentação escolar.
Impacto além das divisas estaduais
O sucesso do modelo capixaba extrapolou as fronteiras do Espírito Santo. Em 2026, a Coopram registrou um marco expressivo: as vendas destinadas a municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro já superaram a marca de R$ 15 milhões. Esse volume de negócios demonstra a capacidade de escala da agricultura familiar quando organizada sob uma estrutura cooperativista sólida, capaz de atender demandas logísticas complexas.
O pilar dessa operação é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Estabelecido pela Lei nº 11.947, o programa exige que, no mínimo, 30% dos recursos federais destinados à merenda sejam aplicados na compra de produtos da agricultura familiar. A Coopram atua justamente como o elo que viabiliza essa meta, oferecendo segurança ao produtor e qualidade nutricional aos alunos.
Tradição e segurança no planejamento rural
Para famílias como a de Guilherme Volkers Waiandt, que mantém a tradição iniciada pelo avô há mais de 50 anos, a cooperativa representa mais do que uma venda garantida; é o reconhecimento do esforço geracional. Com propriedades nas regiões do Galo, Biriricas e Melgaço, a família diversifica a produção entre banana, café, tangerina, abacate e aipim, adaptando-se às demandas que surgem através da organização coletiva.
A previsibilidade é o grande diferencial apontado por produtores como Geraldo Tesch, associado desde 2012. Ao saber que parte da colheita de alface, chuchu, cenoura e outros itens tem destino certo, o agricultor consegue planejar o calendário de plantio com maior tranquilidade, mitigando os riscos inerentes às variações de mercado e às incertezas climáticas que frequentemente afetam o setor primário.
O papel da cooperativa na valorização do produtor
Segundo Darli Schaefer, presidente da Coopram, cerca de 90% dos associados mantêm relações comerciais ativas com a cooperativa ao longo do ano. O trabalho de “ponte” realizado pela entidade permite que o agricultor se concentre na qualidade do que produz, enquanto a cooperativa assume a responsabilidade pela burocracia e pelo transporte. Esse sistema não apenas gera renda, mas também preserva a identidade do produtor, que vê o fruto do seu trabalho chegar a milhares de estudantes.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
