Maioria no TSE valida remoção de publicações sobre Nossa Senhora em caso de Flávio Bolsonaro

Maioria no TSE valida remoção de publicações sobre Nossa Senhora em caso de Flávio Bolsonaro

Justiça

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou, nesta quarta-feira (30), maioria de votos favorável à manutenção da ordem de retirada de postagens em redes sociais que associam o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) a polêmicas envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O julgamento, realizado em ambiente virtual, reflete a tensão jurídica em torno da desinformação durante o período eleitoral.

A decisão referenda o entendimento inicial do ministro André Mendonça, relator do caso, que havia determinado a exclusão de conteúdos após provocação da defesa do candidato. Além de Mendonça, os ministros Nunes Marques, Dias Toffoli e Ricardo Villas Bôas Cueva acompanharam o voto pela remoção, consolidando o posicionamento da Corte até o momento.

Contexto e origem da disputa judicial

A controvérsia teve início no último final de semana, após uma publicação feita na rede social X pelo humorista Antonio Tabet na quinta-feira (24). O texto afirmava que a “família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. Embora o nome de Flávio Bolsonaro não tenha sido citado diretamente, a defesa do candidato argumentou que a postagem integrava uma narrativa falsa que lhe atribuía a autoria de um suposto projeto de lei destinado a retirar o título de padroeira do Brasil da santa, algo que o político nega categoricamente.

O caso ganhou contornos de disputa entre instâncias superiores. Inicialmente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um recurso do humorista e revogou a ordem de exclusão. Contudo, a decisão foi posteriormente revertida pelo ministro Luiz Fux, também do STF, que restabeleceu a determinação de retirada dos conteúdos. O presidente do Supremo, Edson Fachin, optou por não pautar o tema na sessão plenária desta quarta-feira, deixando a palavra final sobre a controvérsia sob a jurisdição do TSE.

Limites entre sátira e desinformação

O julgamento em curso no TSE vai além do caso específico de Tabet. Os ministros buscam definir critérios sobre a aplicação da medida de remoção de conteúdos. A Corte deve deliberar se a decisão deve ser restrita a publicações comprovadamente inverídicas que envolvam o candidato ou se o entendimento deve abranger também críticas, opiniões e sátiras políticas. O debate toca em um ponto sensível da democracia brasileira: o equilíbrio entre a liberdade de expressão e o combate à desinformação que possa influenciar o pleito.

O julgamento virtual tem previsão de encerramento para as 23h59 desta quarta-feira. Ainda restam os votos dos ministros Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques e Sebastião Reis Júnior, que definirão a extensão final da decisão. O episódio ocorre em um cenário de maior vigilância institucional, evidenciado pela recente determinação do ministro Flávio Dino para que a Polícia Federal investigue uma suposta onda de ataques a imagens católicas no país.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br