A pecuária gaúcha tem encontrado na genética angus um caminho sólido para aliar eficiência produtiva, valorização comercial e sustentabilidade no campo. Propriedades rurais no interior do estado demonstram que o investimento em cruzamentos qualificados e no manejo integrado de pastagens faz a diferença nos resultados finais da atividade.
Esse cenário de inovação e tradição foi o destaque da segunda parada da Rota Carne Angus pelo Rio Grande do Sul, iniciativa promovida pela Associação Brasileira de Angus e pelo Programa Carne Angus Certificada. O evento reuniu produtores e lideranças para conhecer de perto o trabalho desenvolvido em fazendas de referência na região.
Tradição e genética na pecuária gaúcha
Na Fazenda Três Lagoas, localizada no município de Manoel Viana, o uso do cruzamento angus começou a ser avaliado ainda na década de 1970. A escolha pela raça foi motivada pela busca por carne de excelência, animais mais precoces e melhores oportunidades de comercialização no mercado de carne bovina.
Com uma área total de 1.850 hectares, a propriedade familiar adotou um sistema que combina a genética com o manejo intensivo de pastagens e rigorosos cuidados sanitários. O alinhamento entre o desempenho do rebanho e a conservação dos recursos naturais é apontado por especialistas do setor como um modelo eficiente para o agronegócio moderno.
Integração lavoura-pecuária e biofábricas no campo
Além da seleção genética, a estratégia produtiva da propriedade aposta na construção de um solo saudável por meio da integração lavoura-pecuária. Essa prática permite diversificar as fontes de renda e aproveitar melhor os recursos disponíveis na mesma área rural, exigindo planejamento e adaptação constante ao clima.
Como diferencial tecnológico, a fazenda se destaca pelo pioneirismo na ativação biológica do solo e na redução do uso de insumos químicos tradicionais, como inseticidas e fungicidas. Por meio de estruturas conhecidas como biofábricas on-farm, a unidade multiplica microrganismos benéficos para auxiliar na nutrição das plantas e no controle biológico de pragas.
A estrutura instalada na propriedade conta com tanques dedicados à produção de fungos, biofábricas de bactérias e um biorreator. Essa abordagem de longo prazo visa aumentar a resiliência do sistema produtivo frente a desafios climáticos severos, como períodos de estiagem e excesso de chuvas registrados nos últimos anos na região.
A troca de experiências promovida por roteiros técnicos e visitas guiadas fortalece a difusão dessas alternativas entre pecuaristas locais. O Ministério da Agricultura e Pecuária acompanha iniciativas voltadas ao desenvolvimento de práticas sustentáveis que elevam a competitividade da carne brasileira nos mercados interno e externo.

