Em um ambiente global marcado por constantes transformações e volatilidade econômica, empresários e executivos enfrentam o desafio diário de manter a competitividade sem o controle sobre variáveis macroeconômicas fundamentais. A orientação de especialistas e lideranças do setor financeiro aponta para a necessidade de direcionar esforços para aquilo que está ao alcance da gestão empresarial, fortalecendo os fundamentos internos em vez de tentar adivinhar os rumos das taxas de juros ou do mercado internacional.
Durante o evento Tax Revolution, promovido pelo Mercado & Opinião nesta quarta (4) e que reuniu 500 participantes entre empreendedores e executivos de finanças, o debate central girou em torno de estratégias de alocação de capital e produtividade. Na ocasião, Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, enfatizou que o foco das organizações deve residir na solidez dos balanços, no rigor do gerenciamento de riscos e na adaptação tecnológica rigorosa para navegar com segurança pelo atual cenário de transição econômica.
Transformações na economia global
Segundo a análise apresentada por Roberto Sallouti, o cenário internacional é moldado por cinco grandes forças estruturais que exigem atenção imediata das corporações. O primeiro ponto é a reorganização geopolítica, caracterizada por conflitos regionais e pelo processo de desglobalização que substitui décadas de integração econômica por barreiras tarifárias e cadeias de suprimentos fragmentadas.
A segunda força determinante é o encarecimento do crédito nas economias desenvolvidas, marcando o encerramento definitivo do período de taxas de juros próximas de zero observado entre 2010 e 2023. Paralelamente, as alterações climáticas deixaram de ser eventos isolados e passaram a exigir uma reformulação profunda em modelos preditivos de inteligência artificial aplicados a setores estratégicos como energia e seguros agrícolas.
Avanço tecnológico e produtividade
O panorama global também é influenciado pela ascensão da China como potência tecnológica e industrial, exercendo forte pressão competitiva sobre diversos mercados tradicionais. Contudo, o fator de maior disrupção apontado pelo executivo é a proliferação da inteligência artificial, comparada a uma revolução ainda mais profunda que a própria internet por viabilizar a conversão direta de energia em capacidade intelectual e eficiência operacional nos negócios.
No âmbito nacional, o debate sobre o crescimento econômico esbarra em obstáculos estruturais históricos que exigem reformas consistentes. Para reverter o quadro de estagnação na produtividade, lideranças apontam que o país precisa consolidar avanços na infraestrutura, na segurança jurídica e tributária, além de promover melhorias estruturais na educação por meio de iniciativas alinhadas às demandas do mercado moderno, a exemplo do Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança).
Estratégias de proteção empresarial
Diante desse contexto de incertezas e juros elevados, a recomendação prática para o setor produtivo é a adoção de uma postura conservadora no planejamento financeiro. Empresários devem evitar o endividamento excessivo e estruturar seus balanços considerando projeções de menor dinamismo econômico, garantindo assim a resiliência necessária para atravessar momentos adversos e identificar novas oportunidades de investimento.
A capacidade de adaptação e a disciplina na alocação de recursos tornam-se, portanto, diferenciais competitivos essenciais. Organizações que priorizam a gestão rigorosa de riscos e o investimento estratégico em inovação tendem a preservar sua margem de manobra, independentemente das oscilações de curto prazo no cenário macroeconômico brasileiro e internacional.

