Força Nacional amplia efetivo e garante proteção a aldeias Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul

Força Nacional amplia efetivo e garante proteção a aldeias Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul

Direitos humanos

As aldeias indígenas Guarani Kaiowá localizadas no estado de Mato Grosso do Sul vão receber um reforço na segurança com a ampliação da presença da Força Nacional. A medida foi anunciada após uma série de denúncias de violência política e ameaças registradas na região de fronteira com o Paraguai, gerando forte repercussão social e institucional em todo o país nos últimos dias.

A decisão veio a público após uma visita oficial realizada no sábado (31) por ministros de Estado à região, motivada pela urgência em conter episódios de hostilidade e garantir a integridade física das comunidades locais. O cenário de tensão acendeu um alerta em órgãos federais e entidades de direitos humanos, mobilizando ações coordenadas de segurança pública.

Reforço na segurança e estratégia minuto a minuto

Durante a visita às comunidades, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, detalhou que o efetivo da Força Nacional será ampliado na região. A estratégia operacional contará com um novo protocolo batizado de minuto a minuto, projetado para garantir respostas rápidas a qualquer sinal de instabilidade ou ameaça nas aldeias.

O sistema prevê monitoramento constante em campo e acionamento integrado com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e os órgãos estaduais de segurança. A proposta é registrar imagens e indícios de autoria de forma ágil, permitindo ações imediatas diante de ocorrências com indícios de criminalidade.

Visita ministerial e apuração de denúncias

A comitiva do governo federal integrou representantes de diferentes pastas para ouvir diretamente os relatos das comunidades afetadas. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, acompanharam a agenda nas aldeias Sassoró, no município de Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia.

As autoridades avaliaram in loco as denúncias que ganharam visibilidade nas redes sociais e mobilizaram entidades como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que registrou dezenas de casos de conflitos. Entre as situações mais graves apuradas pelas autoridades está a suspeita de contaminação de recursos hídricos na aldeia Sassoró.

Investigação sobre ameaças e envenenamento de água

O episódio de ameaça de envenenamento da água na aldeia Sassoró, divulgado por meio de áudios em aplicativos de mensagens na cidade de Tacuru, passou a ser tratado com prioridade pelos investigadores. A Polícia Federal já iniciou a oitiva de suspeitos, incluindo a apuração sobre o envolvimento de um servidor público municipal no caso.

Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, uma filtragem preliminar apontou diversos casos suspeitos na região, exigindo rigor técnico nas perícias e no monitoramento da qualidade da água consumida pelos moradores. Paralelamente, a pasta dos Direitos Humanos colocou programas de proteção à disposição de dezenas de indígenas que já ingressaram no sistema de salvaguarda estadual.