A economia argentina enfrenta um novo momento de instabilidade social. Dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Nacional de Dados Estatísticos (Indec) revelam que a pobreza no país voltou a subir, atingindo 32,3% da população no primeiro semestre de 2026. O índice representa cerca de 9,7 milhões de pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade, um salto em relação aos 28,2% registrados no semestre anterior.
Impacto da inflação sobre o poder de compra
O agravamento do cenário social é reflexo direto da disparidade entre a renda das famílias e o custo de vida. Segundo o relatório do Indec, enquanto a renda familiar per capita teve um aumento médio de 11,5%, os preços das cestas básicas subiram em um ritmo muito mais acelerado. A Cesta Básica Alimentar registrou alta de 21,4%, enquanto a Cesta Básica Total, que engloba despesas essenciais como habitação, transporte e vestuário, encareceu 19,6%.
Essa desvalorização do poder de compra impactou severamente a parcela mais jovem da população. O levantamento aponta que 44,5% das pessoas em situação de pobreza na Argentina são crianças e adolescentes de até 14 anos, um dado que acende um alerta sobre o futuro do desenvolvimento social no país vizinho.
Crescimento da indigência e retração econômica
Além da pobreza geral, o número de cidadãos classificados como indigentes — aqueles que não possuem renda suficiente para adquirir o mínimo necessário para a sobrevivência alimentar — também apresentou trajetória de alta. O índice passou de 6,3% no segundo semestre de 2025 para 7,5% no primeiro semestre de 2026, totalizando 2,2 milhões de pessoas.
O cenário de vulnerabilidade é acompanhado por uma desaceleração na atividade econômica. Em julho, o país registrou uma retração de 2,9% em comparação ao mês de junho. Esse movimento de queda tem sido associado ao fechamento de empresas e à redução de postos de trabalho formais, fatores que pressionam ainda mais o orçamento das famílias argentinas.
A leitura do governo sobre os indicadores
Diante da repercussão negativa dos números, o ministro da Economia, Luis Caputo, buscou contextualizar os dados através das redes sociais. Embora tenha reconhecido o aumento de 4,1 pontos percentuais na pobreza em relação ao semestre anterior, o ministro enfatizou que, na comparação com o primeiro semestre de 2024, os indicadores ainda apresentam uma queda significativa.
Caputo também defendeu a resiliência da economia argentina, argumentando que, no acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o país ainda mantém um crescimento de 1,7%. O ministro atribuiu a retração observada em julho a fatores sazonais e choques transitórios, como a menor disponibilidade de gás para a indústria, condições climáticas adversas que impactaram a construção civil e a mineração, além de variações nas horas trabalhadas em setores específicos.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
