Desembargadora pega 14 anos de prisão imposta pelo STJ no âmbito da Operação Faroeste

Desembargadora pega 14 anos de prisão imposta pelo STJ no âmbito da Operação Faroeste

Política

O Superior Tribunal de Justiça determinou a condenação da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, pertencente ao Tribunal de Justiça da Bahia, a uma pena de 14 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado. A decisão colegiada, proferida pela Corte Especial da instituição máxima, incluiu também a decretação da perda do cargo público ocupado pela magistrada.

A sessão de julgamento marcou a primeira deliberação de mérito relacionada diretamente a uma ação penal originada da Operação Faroeste. A investigação centralizou-se na apuração de um esquema estruturado para a comercialização de decisões judiciais, cujo objetivo final era viabilizar a grilagem de terras localizadas na região oeste da Bahia.

Repercussão jurídica e posicionamento da defesa

O advogado Gamil Föppel, encarregado da representação legal de Maria do Socorro Barreto Santiago, manifestou publicamente perplexidade diante do veredito proferido pelos ministros. A defesa técnica anunciou que pretende interpor recursos contra a decisão colegiada, argumentando a ausência de provas idôneas que sustentem a acusação de suborno.

Segundo a argumentação apresentada pelos defensores da magistrada, a acusação oficial teria interpretado erroneamente uma operação financeira realizada entre irmãos, caracterizando-a de forma equivocada como pagamento de propina. Houve ainda contestações severas ao uso de anotações pessoais de cunho místico e espiritual apreendidas durante diligências na residência investigada.

Novas condenações e o papel dos envolvidos

Durante a mesma sessão de julgamento na Corte Especial, os magistrados estenderam as punições a outros réus vinculados ao esquema investigado. O empresário Adailton Maturino dos Santos recebeu uma condenação estipulada em 21 anos e sete meses de reclusão, enquanto sua esposa, Geciane Souza Maturino dos Santos, foi sentenciada a 16 anos e quatro meses.

Conhecido publicamente como falso cônsul, Adailton Maturino dos Santos utilizava o título diplomático da Guiné-Bissau sem possuir a devida chancela do Itamaraty. O empresário mantinha trânsito influente entre autoridades públicas nos estados da Bahia e do Piauí, chegando a receber homenagens oficiais e títulos honoríficos em câmaras municipais.

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