Tarifa zero no transporte público é tratada como prioridade pelo PT para eventual novo mandato

Tarifa zero no transporte público é tratada como prioridade pelo PT para eventual novo mandato

Política

A estratégia política por trás da gratuidade no transporte

Embora a proposta de tarifa zero no transporte público não tenha integrado formalmente o programa de governo apresentado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a última campanha, o tema segue presente nos bastidores do Palácio do Planalto. O deputado federal Jilmar Tatto (PT) defende que a implementação da gratuidade é uma das metas centrais para um eventual próximo mandato, caso o presidente busque e conquiste a reeleição.

A defesa da pauta ganha corpo com a experiência do próprio parlamentar, que é autor do livro Tarifa Zero: embarque nessa ideia. Segundo Tatto, a ausência do tema no plano de governo oficial não deve ser interpretada como desinteresse, mas sim como uma estratégia de prudência política. O deputado estabelece um paralelo direto com a criação do Bolsa Família, que também não constava no plano de governo de 2002, mas tornou-se a marca registrada das gestões petistas.

Estudos e viabilidade econômica da proposta

O debate sobre a gratuidade no sistema de transporte coletivo não é apenas retórico. Desde o ano passado, o presidente Lula solicitou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que a equipe econômica realizasse cálculos detalhados sobre a viabilidade de uma implementação nacional. A complexidade do projeto reside no impacto orçamentário, que, segundo estimativas de Tatto, pode oscilar entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões anuais aos cofres da União.

A viabilização financeira exige, portanto, um planejamento rigoroso. O deputado ressalta que a iniciativa não pode ser tratada como uma medida temporária ou eleitoreira. “O tarifa zero exige cautela e prudência: é um programa universal que precisa ser implantado com garantias de continuidade. Não pode durar um ou dois anos e depois ser interrompido”, pontua o parlamentar, reforçando a necessidade de uma política de Estado sustentável a longo prazo.

Articulação política e o papel do Congresso

A implementação de um sistema de tarifa zero em escala nacional impõe desafios federativos significativos, dado que o transporte público é, em grande medida, uma responsabilidade municipal. Por isso, aliados do governo sugerem que a articulação da proposta ocorra diretamente no Congresso Nacional, por meio da bancada do PT, visando construir um consenso que envolva prefeituras e governos estaduais.

O movimento busca transformar o transporte em um direito social garantido, seguindo uma tendência de debates globais sobre mobilidade urbana e redução de desigualdades. Acompanhar a evolução dessa pauta é fundamental para entender os próximos passos da agenda social do governo. Para se manter informado sobre os desdobramentos da política nacional e as decisões que impactam o seu dia a dia, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência em notícias relevantes, atualizadas e com o contexto que você precisa.

Fonte: redir.folha.com.br