Em um cenário econômico marcado por juros elevados, volatilidade nos mercados e incertezas políticas, o setor de infraestrutura no Brasil tem se consolidado como um porto seguro para investidores que buscam resiliência. A avaliação é de Ralph Rosenberg, CIO da Perfin, que aponta o segmento como um dos poucos capazes de manter o fôlego mesmo diante de ciclos adversos.
Durante a TAG Summit, evento realizado nesta terça-feira (29) em parceria com o Market Makers, o gestor destacou que a infraestrutura brasileira possui características singulares. Segundo ele, a demanda estrutural por investimentos, aliada a marcos regulatórios que amadureceram ao longo dos anos, cria um ambiente onde o capital privado encontra oportunidades constantes, independentemente do custo do crédito.
Resiliência do setor de infraestrutura frente à volatilidade
Para Rosenberg, a lógica é clara: embora o custo do dinheiro possa oscilar e o crédito se tornar mais caro ou restrito, a necessidade de obras de saneamento, energia e logística não desaparece. “O crédito pode ficar mais caro. Vimos isso várias vezes ao longo dos anos, mas para infraestrutura nunca cessa. Mais caro, mais curto, mas sempre lá”, afirmou o executivo.
Essa percepção de continuidade é o que mantém o setor atraente, mesmo quando títulos públicos indexados à inflação oferecem prêmios elevados. A infraestrutura atua como um motor de desenvolvimento que depende da iniciativa privada para suprir lacunas que o Estado, por limitações orçamentárias, não consegue preencher sozinho.
O papel do capital privado no desenvolvimento nacional
Diferente de economias desenvolvidas, onde o Estado possui maior capacidade de investimento direto, ou da China, que utiliza recursos governamentais massivos, o Brasil depende fundamentalmente da atração de capital privado para viabilizar projetos de grande escala. Rosenberg enfatiza que essa realidade é compreendida por diferentes espectros políticos, o que tem favorecido a continuidade de concessões.
O gestor ressalta que o aprimoramento regulatório tem sido crucial para atrair players sérios, com visão de longo prazo. “O papel dos reguladores é fiscalizar e incentivar a ação privada. Quanto mais competição, melhores são as tarifas e o resultado para a população”, pontua. Projetos recentes, especialmente nos setores de saneamento e rodovias, são citados como exemplos de sucesso dessa dinâmica.
Apostas estratégicas da Perfin na bolsa
Dentro desse contexto, a Perfin mantém posições estratégicas em empresas que considera fundamentais para o crescimento do país. Entre os destaques da carteira está a Copasa, na qual a gestora detém 20,11% de participação. A aposta na companhia de saneamento de Minas Gerais está diretamente ligada ao desafio da universalização do acesso aos serviços básicos.
Outro nome de peso citado pelo CIO é a Equatorial, parceira na privatização da Copasa. Embora reconheça que a empresa possa sofrer oscilações devido à sua alavancagem, Rosenberg reforça que os fundamentos de longo prazo permanecem sólidos. A lista de preferências da gestora inclui ainda a Eneva, pela sua eficiência na alocação de capital, e a Rumo, que tem ajustado sua tese de negócios para focar na geração de valor aos acionistas.
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Fonte: seudinheiro.com
