Preços do petróleo recuam com diplomacia sobre o Irã e tensão no Oriente Médio

Preços do petróleo recuam com diplomacia sobre o Irã e tensão no Oriente Médio

Geral

O petróleo encerrou a terça-feira (3) em baixa, ampliando as perdas da véspera após uma sessão volátil marcada por novos bombardeios no Oriente Médio e sinais de avanços diplomáticos envolvendo Irã e Estados Unidos. O mercado também repercutiu a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o corte de US$ 4 bilhões em ajuda a Israel e acompanhou o último dia das eleições de meio de mandato no país.

Desempenho das principais referências internacionais

Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o Brent para janeiro fechou em queda de 1,11%, com perda de US$ 1,17, a US$ 103,60 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para dezembro recuou 0,38%, ou US$ 0,37, a US$ 96,09 por barril.

No início do dia, a commodity chegou a subir com a reação do mercado aos ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz. Ao longo da manhã, porém, os contratos inverteram o sinal após a publicação de que os EUA aprovaram uma minuta de memorando de entendimento com o Irã.

Repercussão política e declarações oficiais

Em paralelo, Trump afirmou que cortará a ajuda de US$ 4 bilhões destinada por seu governo a Israel no fim do ano, sob o argumento de que o país não precisa mais da assistência e pode comprar suas próprias armas. Do lado iraniano, a sinalização foi mais cautelosa. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que a postura do país em qualquer negociação diplomática é de “máxima cautela e total pessimismo”.

Análise de especialistas sobre o cenário global

Para o XS.com, a reação do petróleo mostra que o mercado parece ter minimizado a importância dos bombardeios americanos em solo iraniano, em um ambiente que já precifica riscos elevados de contágio. A instituição acrescentou que o nível de otimismo em relação às negociações ainda carece de fundamentos suficientes para sustentar uma queda prolongada dos preços.

Na mesma linha, o ING avaliou que ainda é cedo para descartar uma nova escalada no conflito, embora avanços mais concretos nas negociações possam ampliar a pressão baixista sobre a commodity. Segundo o Swissquote, o mercado também monitora se o resultado das eleições legislativas nos Estados Unidos poderá abrir caminho para a normalização das condições de oferta.

A sessão terminou com queda nas duas principais referências internacionais do óleo, em um quadro em que o mercado dividiu a atenção entre a evolução do conflito no Oriente Médio, as negociações diplomáticas e o ambiente político nos Estados Unidos.